quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Utopia

Queria um cara que de fato me desafiasse, que me intimidasse, um que pra se destacar, não fizesse tudo o que eu quero, na hora que eu quero. Um com quem eu pudesse ter aquelas discussões com as quais sonhei a vida inteira, um que resistisse aos meus ataques, mas somente porque os dele eram superiores aos meus. Um que ficasse puto com esse bando de amigos que eu tenho, e que demonstrasse, disfarçado, o que pensa. Um que odiasse todos eles. Que não entendesse os meus atrasos, que não perdoasse a ligação que eu não retornei, as saídas que eu esqueci, e marquei programa por cima. Um que feroz, me tocasse.
Queria que me beijasse como se pela última vez. Que nossas conversas ardessem em saudades e desejos urgentes, como se despedidas. Que tão somente aproveitasse e quem sabe até, diria o pouco que Thomas More imprimiu em mim, correspondesse. Que fosse brega, com declarações súbitas de três palavras entre um assunto e outro, que me atingiriam feito flecha.

Ele devia saber a influência que tinha sobre mim. Todo aquele poder que exercia sob os meus desejos mais insanos. Claro que sabia. Impossível não saber.

Ah querido, só queria que agora você soubesse que se assim continuar, vais me perder.

... amanhã é 2009 !!!

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