domingo, 29 de agosto de 2010

Agora é só o dançar do meu corpo todo ao som dos seus sons. Meus lábios ao som da sua voz. Meus olhos com os movimentos das suas mãos. Meus pés com os caminhos que você quiser trilhar. E meu coração aos nossos silêncios e agudos e retornos e abraços e truques.

Eu te amo.
(E juro nunca enjoar da nossa música.)

domingo, 1 de agosto de 2010

Primeiro foi a dor. O aguardar silencioso pelos seus passos pesados no assoalho. Nada. Você nunca veio, e eu fiquei esperando pelo que pareceu ser uma vida inteira. Minha mente divagava por caminhos que você não consegue sequer imaginar existirem, e a dor. A dor pulsava, queimava. Meu coração latejando, batendo frenético. Ou não batendo nada. Naqueles minutos enxerguei nosso futuro, e me fartei das incertezas que a sua ausência traz. Veio o desespero. O medo de nunca mais ver seus olhos e cílios a milímetros dos meus. Sua mão macia e quente na minha, o conforto de seus braços e um sorriso de lábios quando eu fazia algo que realmente te agradava. Pavor de não ter meus três pares de filhos com você, não poder acordar com seus olhos piscando em câmera lenta ao meu lado na cama e nunca mais ver você levantando a sobrancelha e franzindo os lábios quando queria me pedir algo que achava demais pra mim, quando a simples ideia o encantava demais.
Depois veio a esperança. A longa conversa, a lua acompanhando e abençoando tudo no céu limpo. Os pré-julgamentos equivocados sendo dissolvidos gota a gota, e junto com tantos outros equívocos, os esclarecimentos. O vazio sendo preenchido pouco a pouco. Mais tarde, depois de muito pensar, um impulso pôs minha mão sua pelo tempo perfeito, suficiente pra me recordar que não eram só suas mãos que haviam sido criadas pra me fazer sucumbir.
Passei o tempo todo te olhando. Seus olhos, sua boca, sua mandíbula, bochechas. Cada hora me perdia em uma parte, pra poder decorar mais uns detalhes que ainda não havia aprendido... Guardei-os todos pra mais tarde. Me acompanhou até meu quarto e o abraço foi longo demais pra que eu pudesse acreditar que não sentiu minha falta como senti a sua, e seu pulso estava acelerado demais pra eu pensar que seu coração não batia mais por mim.

Não vou desistir de você, não posso te deixar ir.
Mas queira ficar, amor. Não queiras partir.
Não te vás!