quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Solidão de palavras

Tenho dentro de mim os silêncios mais profundos e agudos. O que calo ecoa o som que meu peito grita. É como se eu fosse toda palavras e tivesse dizeres sobre tudo.
Pode ser que o silêncio seja apenas o prelúdio do qual minha mente faz uso. O tempo exato pra que um pensamento possa ser transformado em dizer ou agir seguramente, sem que haja a menor possibilidade de alguém sair ferido, porque o tempo todo sofro em nome de ferimentos alheios. Meus também. Mas os meus eu vomito em escritas, os encontro e os faço se perder na melodia de algumas músicas, os danço desajustadamente até que, esgotados, se curem. O dos outros não. O dos outros eu apenas choro ao ver sangrar, e sangro ao ver chorar. Esses eu normalmente calo. E são meu silêncio mais doído... O de calar dores alheias, por serem meus únicos silêncios perpétuos e predestinados a permanecerem sempre assim.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Thinking is overrated

''sabe o que? nem eu sei o que eu quero, de verdade. acho que eu só queria que você me quisesse. e ter a oportunidade de descobrir qual era o objeto do meu desejo depois...'' (Todo ajuntamento de palavras é destinado a alguém.)

Não acho que ser impulsiva é uma coisa ruim, não acho que advoga contra meu caráter, índole ou personalidade. Só quer dizer que sou mais aflita e intensa que a maioria dos seres humanos. Mas, quer saber? Ninguém gosta de mornidão. Eu certamente não. E quer saber de outra coisa? De agora em diante só vou conviver com pessoas que me aceitarem a impulsividade. Que se afastem os fracos e sem paciência ou tolerância. Vou ser intensa. Abraçar e beijar o mundo na testa e na boca sempre que quiser. Quando o desejo sufocar vou atender suas súplicas. Se quiser dançar, vou deixar que meu corpo se movimente livremente. Permitir que seja embalado pelo ritmo que meu coração reproduzir. Explodirei as palavras que me arderem a garganta e distribuirei sorrisos apenas pros meus melhores fregueses.
O mundo que se prepare... Há algo novo saindo do forno.
Espero que não queime. Ou esfrie rápido demais.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O que nem eu sei dizer

O tempo me marcou a alma com algumas coisas da vida.
Detalhes no escuro de olhos fechados, luzes apagadas; um esconderijo. Gramas aconchegantes, corações maltrapilhos em caminhos descalços. Um amor que me sorria com o meu lado direito da boca quando lhe pedia que me sorrisse. Um menino com medo de crescer que me dava a mão vez por outra pra que eu desistisse de fugir e esquecer. Os dentinhos tortos da minha criança favorita. Uns poucos amigos e nossos vários dias juntos. Meus milhares de planos abandonados e retomados com o passar dos anos.
O cantinho, embaixo do calceiro, perfeito pra se falar no telefone. Um bonitinho de casaco vermelho e perfume doce que embriagou muitas das minhas manhãs e rodopiou meus pensamentos sempre que quis. Uma conversa no meio fio de uma cidade de interior com o futuro melhor amigo há anos atrás. As tragédias imaginadas em nome do medo que reinava sempre que as coisas davam certo demais. Uma senhorinha acenando adeus sempre da mesma calçada, do mesmo jeitinho, pelo menos três vezes ao ano.
Minha loirinha doida expressando seu medo da morte, sem saber que ambas temíamos a mesma coisa, e que o medo dela só agravava o meu. Meu vício nas pessoas. Os períodos de abstinência. A cura. O amigo revolucionário que era capaz de mudar o mundo do ensino, tamanho era seu desejo de fazê-lo e a delícia com que anunciava seus planos. Uma família muito querida que foi agregada a minha com o tempo.
Laços formados. Amigos distantes. Gargalhadas dadas. Bons olhos. Bons companheiros. Sempre bons amores. Despedidas difíceis. Chegadas agradabilíssimas. Pés acelerados, braços abertos e um sorriso pra tudo e qualquer coisa.
Meu passado é todo encruzilhadas, confusões e fugas. Não lamento a viagem, tampouco o destino... Cada escolha; uma renúncia - como gosto de pensar e dizer. Acho que sempre soube exatamente do que abrir mão. Guardando, sempre, um grão de lembrança pro futuro.