Desconheço todos eles . Suas vozes, seus traços, seus gostos, seus amores .
Nada mudou . A sala recém redecorada já me é familiar, a cozinha, os quartos, a sacada ... Continua tudo igual . Sei disso . Há quatro anos moramos aqui, e eu pouco me lembro da casa em que moramos anteriormente . Não é o ambiente que me assusta, que me é diferente .
São as pessoas, os sentimentos, as falas, os gestos, as conversas . Ou ainda, a ausência dos quatro últimos .
Como se eu morasse em meio a estranhos, como se eu residisse com eles, partilhasse alguns poucos minutos do dia, por vezes na hora do almoço, sem mais .
( Até ele eu tenho evitado . )
Tenho me incomodado com tudo, tudo mesmo . Até com coisas que sempre aconteceram . Como se só agora eu tivesse acordado, realizado que com o pouco, eu não preciso me contentar .
Não me contento então, me tranco, me isolo, fico só, na minha .
Mas mesmo quando o faço, as pequenas desgraças me atingem . Muito mais o silêncio deles, à gritarias infundadas, à grosserias que eu também já aguentei um dia, calada . Agora não mais assim, que nem venham falar comigo, se esperam o mesmo silêncio de tantas outras vezes .
Cresci aqui, devo a minha vida a eles . E entregar-lhes-ei caso se faça necessário .
Mas por enquanto, eu não vou aceitar a convivência, a amizade interessada, a falta de carinho, ou ele planejado .
Saio amanhã pra praia ... Contrariada . Mil vezes a Campo Grande do meu quarto, meu laptop, e meus livros, à praia de outros, com uma família que eu nem sei se é minha mais .
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