terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mess.

Sempre deixei um pouco do meu veneno e amargura na boca dos outros. No ouvido dos outros. Em suas mãos, corpos, pernas, sorriso, e coração. Talvez nunca venha a ser uma menina doce; olhos implorativos, lábios encurvados em biquinhos... Conheço a receita, mas não creio que seja essa a minha fórmula pra ser feliz.
Sou feliz do meu jeito, e só dele. Meus amigos sempre perto, minha família mais ainda. Uns bons livros, excelente música. Um beijo pra cada noite, um abraço abrasador pra cada dia. Mãos que apertam a nuca e joelhos que se dobram em oração. Caminhos que se bifurcam e nunca mais se cruzam, ou que se perdem e conectam com considerável frequência. Podem ser tortos e cheios de espinhos; plenos e cheios de luz. Sempre me trazem até aqui. Sempre me trazem até mim. Um pedaço de papel, um lápis já muito apontado, a esquina de uma parede, um clique de uma máquina fotográfica, enxergar olhos sinceros, bons sorrisos, risadas gostosas, crianças correndo, minha mãe cantando... É o que basta. Voltar é fácil! É como retornar pra casa depois de uma longa viagem; meses podem ter se passado que, até mesmo no breu, conseguirei me guiar facilmente até meu quarto, o esconderijo no calceiro, a cadeira manchada, a parede sempre tão fria ao lado da cama...
Posso até fazer sentido agora, ou fazer sentido nenhum. Fato é que nunca vou ser perfeita sintonia, sempre serei contradição. E o que é melhor de tudo, é que aceito que assim, é melhor pra mim. E pelo menos até o segundo que essas palavras me explodiram coração e escorreram até os dedos, isso basta.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nossos caminhos sempre tão diversos se cruzaram em tantos pontos... Já faz um tempo que estamos aqui, tempo suficiente pra que eu considerasse que fosse este, enfim, meu ponto de chegada. Mas você insiste em apressar as coisas por nós dois, e não me surpreenderia se um dia desses, repentinamente, você me fizesse adotar este nosso ponto como ponto de partida. Entenda que se eu seguir em frente dessa vez, não mais olharei pra trás. Nem pros cacos de nossas brigas. Pras palavras mal( )ditas, meus olhos e voz baixos esperando e pedindo que você se acalmasse. Tampouco vou retroceder memória e coração, procurando em outros tempos seus sorrisos e meus arrepios em suas mãos. Ficar aqui, bem aqui, onde estamos, tem feito mal. Não sei se pra você tanto quanto pra mim, mas também não posso sequer querer saber. É chegada a hora de pensar em mim. Ou de voltar a pensar em mim.
E que isto soe mais egoísta do que deveria, do que é. Descobri há pouco que só há amor se houver reciprocidade. Mas também, e principalmente, se, além de amar o outro, conseguir amar a si primeiro. Veja que todo esse tempo eu vinha amando a ti e a mim. Só que nunca permitindo que os dois amores se misturassem, porque ambos conflitantes, imiscíveis. Talvez porque o amor próprio fosse maior, mais intenso, dominante. Não se assuste, nem queiras ir por esta minha declaração. Posso amar os dois. Só que deve haver equilíbrio. E não sei, mas talvez eu precise ir, me afastar, e só voltar quando estiver, novamente, terrivelmente apaixonada. Só que por mim.
Pra que então isso tudo que nós temos não se resuma em um ponto, seja de partida, chegada, ou de passagem temporária. Pra que se torne realidade, e que possa ser eterna.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Olhares diversos

Pra onde eu corro das lembranças quando elas finalmente me alcançarem, se não pros teus braços? Se a saudade apertar, devo me deixar sufocar por ela? Se eu sentir falta de breguicezinhas aleatórias e desprevinidas, posso voltar?
Não sei como as coisas vão ser dessa vez, ou se é que vão ser. Tenho certeza que a simples ideia de te ter longe me amedronta demais, me causa dor no peito, me faz chorar. Mas não sei se consigo conviver com a nossa convivência. Vai ser sempre a sua vontade lutando contra a minha natureza. Minha espontaneidade lutando contra a sua seriedade. Não queria que fosse assim. Nos damos bem em todo o resto (que é muito). Alguns nos invejam por todo o resto. Nossas risadas inexplicáveis, seus chamamentos, as maças do rosto brilhando, os olhos também. Mas eu queria poder te dar um pouco mais de mim. Não ter que tirar pra que você me aceitasse. Já deixei vários pedaços pelo caminho mas tenho medo de, se continuar assim, me perder completamente, e não sei se quero isso. Acho que nem devia ter essa dúvida, ou pelo menos é isto que as pessoas me dizem constantemente.
Te amo muito, mas levei a história de entrega e abnegação longe demais. Em alguns momentos chego a ter certeza que te amo muito mais que a mim mesma. Isso não pode ser certo. Como você vai poder me amar e respeitar se nem eu mesma o faço? Se consigo perdoar tudo quanto você me faz só porque ''é tão bom ficar bem''. É muito bom ficar bem, realmente. Mas só quando pros dois fica tudo bem.
Que seus olhos me perdoem, seus ouvidos já cansados de me ouvir também.
Prometo estar aqui quando seu coração finalmente estiver pronto pra me receber. E não só a esse ideal que de mim se construiu.
O original também é belo.
Tudo depende dos olhos de quem vê.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Para Hernandes, da contabilidade, em resposta

Ah, Hernandes... O que você pretendia com todas aquelas palavras, hein? Já não lhe disse repetidas vezes pra não fazer esse tipo de coisa porque meu coração não aguenta muito? Agora eu fico aqui, sem conseguir me concentrar nas minhas revistas, no atender telefones, entregar recados... É bem provável que eu perca meu emprego deste jeito, poxa. Mas já chega de te punir e repreender, você sabe como detesto fazer isso, né?
Sempre fui uma incrédula do amor, de futuros planejados, mãos dadas e compromissos, e você tem me mudado inteira, meu amor. Não sei se as mudanças são necessárias, ou se vieram em boa hora, sei que tenho sido muito mais feliz, mas também não sei por quanto tempo ficarei assim. Posso prometer guardar meus melhores sorrisos pra você, enquanto você quiser ficar, e que Deus permita que você nunca queira ir. Não que minha existência seja alimentada pela sua presença, minha felicidade é que é.
Obrigada por tudo. Por aquele dia em que você me pediu desculpas ao telefone por ter feito uma coisa que lhe pareceu correta na hora, mas que muito me magoou. Por parar o carro naquele lugar que reclamei como nosso, que é preu poder falar com você olhando aquela árvore com as flores amarelas. Por não soltar a minha mão quando os problemas chegaram e eu não tinha sequer forças pra te prender em mim. Por entender meu cansaço, meu sono, meus piores dias, minhas risadas sem motivos, meu cantar desafinado e minhas descargas de energia.
Eu te amo também, mas você já sabia disso, né?

Beijos sempre nossos,
Glória, da recepção.

Ps.: Minha casa às vinte horas hoje?
Ps.2: Agora só são dois dias pra um mês, meu bem. O que me lembra outra coisa; mil desculpas pela demora em responder... Esses feriados acabam comigo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para Glória, da recepção

Meus amores mal amados sempre soaram como uma música ruim em um disco só de músicas boas. O nosso não. Não sei se porque, pela primeira vez, dividi o meu amor com alguém ou coisa do tipo, só sei que as coisas tem sido muito mais leves desde que você entrou aqui. Agora é tudo como aqueles filmes quase caseiros europeus, daqueles meus diretores cujo nome você nunca ouviu falar - e talvez nunca ouça - com aquelas músicas gostosas. Aqueles banquinhos a margem de rios e lagos e em frente a jardins que toda pessoa do mundo gostaria de sentar. Talvez por isso o mundo conspire contra nós, Glória. Talvez sejamos mesmo um filme intelectual demais pra qualquer mente, ou simplesmente pra mentes que não estejam preparadas pra este tipo de cultura. Diálogos profundos, em que muito e quase tudo lê-se nas entrelinhas, em que olhos e mãos dadas e sorrisos longos saem naturais feito poesia. Talvez seja o fato de as nossas diferenças não nos atrapalharem, o mistério que envolve a nossa fórmula de amar (que dá certo).
Talvez por isso nos invejem, meu amor. Ah! Como adoro te dizer isso, meu amor... Meu amor. Meu amor. Meu amor! Poderia te dizer isso a tarde toda, quão grande é o meu amor. Quão grande é o espaço que você ocupa na minha vida. E, quer saber? Pouco me importo se isto tudo soar cansativo e ilusório e conversa pra boi dormir. Você acredita em mim, não acredita? É só isto que me importa agora. Você é o amor da minha vida, e que seja pouco o tempo e nossa existência curta demais pra se determinar isto, mas você é. Afinal, não foi você quem disse toda sorridente que faltavam dez dias pra completarmos um mês? Pois bem, meu amor... Agora faltam só oito, acredita? E parece que se foi uma eternidade.
Não só pelos seus beijos que me aquecem sempre mais. Seu corpo que parece ter sido feito pro meu abraço. Seus olhos que derretem cada pedaço de racionalidade que possuo. Mas pelas suas mãos que me envolvem e entorpecem cada dia de um jeito diferente. Sua boca que é suave e seus modos intransigentes e espontâneos que conduziriam qualquer homem do mundo a qualquer lugar que você quisesse.
Me perdoe por dizer estas palavras, mas procure me entender, nunca amei assim. Espero que meus sentimentalismos e melosidades não afastem teu peito do meu, e não te desligue de mim. Obrigada por fazer meus dias tão melhores, tens sido o motivo de todos os meus sorrisos, e graças a Deus por isto.
Eu te amo.
Muito.

(E dane-se o fato de eu ser da época do disco.)

Beijos sempre seus,
Hernandes, da Contabilidade.