domingo, 14 de dezembro de 2008

Mergulhada em rancor

O que me move é essa minha busca permanente pela felicidade . Não que eu não me encante com todo o resto que me é acrescido quando passo por situações ruins . Ao contrário, nada melhor que as pequenas, e grandes, desventuras do cotidiano para me fazerem crescer . Pena que eu só fui me dar conta disso esses dias, antes, enxergava em cada tristeza, silenciosa, ou anunciada, algo de arrogante, até lutava, me obrigava a não sentir, me achava melhor que aquilo, superior a ela . Mas não ! Superior, é ela . Que ensina, amadurece .
Aquela minha idéia de maquear as tristezas com um sorriso esticado, e posição firme, de quem tem a alegria intacta, só me machucava . Enquanto eu as escondia, elas me consumiam, absorviam tudo o que era bom em mim, de mim, assim, aos pouquinhos . E eu ? Ah ! Eu nem percebia, me dava conta que ela é quem me manipulava, somente quando ela, brincalhona, me assaltava, assim, do nada .
Podia ser durante um filme, algum trecho de um livro qualquer, uma briga com o namoradinho da vez, uma discussão com os pais ou qualquer outra coisa que em dias normais ( se assim eu o fosse ) não me atingiriam, passariam despercebidos, diminuídos, como se nada fossem . Como eram ! Era como se ela precisasse apenas de uma brechinha pra berrar em mim,
- Ei ? Eu tô aqui ! Vê ?
Aí eu me desidratava em lágrimas, meu coração se apertava, contorcia, doía . Faltava-me o fôlego, as palavras, tudo . Eu sequer conseguia explicar o que me levara ao pranto . Desabava . Mas sempre, sempre, sozinha . Nunca tomei outra pessoa por companhia nesses meus momentos, sempre achei que as pessoas tivessem problemas demais, porque diabos eu lhes daria um pouquinho dos meus também ? Eu penso assim, ainda . Mas hoje em dia, isso não me impede de me abrir, me expor, abrir o coração, e deixar que a boca apenas anuncie o que nele abunda .

Se for amor, que seja . Se for dor, que transpareça !

Mostrando-me fraca, é que me faço forte . Só exibindo, como em vitrines, assim mesmo, bem exposta, o que eu sinto, se ruim, é que eu posso transformar a maldita em alegria, em aprendizado . Se me calo, elas apenas me consomem, e quando saem de mim, em lágrimas, ou em desabafos de palavras mal pensadas e indizíveis, saem vazias, perdem o sentido . Tudo isso, por essa minha diabólica capacidade de acabar com pessoas com poucas palavras . Ao invés de sarar-me, machucava .
Ai daquele que cruzasse meu caminho nesses dias em que ela, ardilosa, escapava-me por entre os dedos . Feria até aqueles que menos mereciam, e deixava a pessoa assim, atônita, sem entender o porque de tantas críticas, de tanto rancor . Vai ver é porque nem eu entendia .
Com tudo o que eu tenho aprendido com esses pedaços de infelicidades que pulam na minha frente de vez em sempre, é que eu crio minha coragem pra lidar com todos os causadores dela . Coitados . Se acham tão dignos, tão importantes, são tão certos de si . O efeito deles em mim é imediato, certeiro .
Não nego, adoro pessoas com auto estima maior que a minha, ou aqueles que a possuem somente um pouco mais elevada que o normal, adoro-os porque me desafiam . Ousam brincar com o que eu sinto, ousam brincar comigo . Às vezes, sem querer, por inocência, ou por insanidade temporária, eu permito que eles o façam . Permito que brinquem .
Mas nunca por muito tempo, e não sem devolver, em igual, ou maior escala, a desgraça que me causaram .

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