domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pensei que veria a saudade e o desejo sendo reduzidos visivelmente enquanto te assistia ir embora, mas não. Agora além de com os supracitados ter que lidar, uma onda de arrependimento me arrebata toda vez que meus olhos pousam em você. O tempo há de sarar todas as feridas, sanar todas as necessidades, bem sei. Mas e até lá? Até lá não é só até, neguinho. O percurso é tortuoso, cheio de encruzilhadas e espinhos e descobertas e dores.

Fazer o que? Me pediram pra escolher entre a sua vida e o meu prazer. Escolhi.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Talvez o amor não fosse aquilo que pensava.
Talvez só um conto inventado por uma língua mentirosa e qualquer.
Talvez nada.
Já havia escutado aquelas palavras antes, seus olhos já estavam acostumados àqueles sorrisos tortos e mergulhados em prazer... Algo mudou, era certo. Mas o quê?
Pouco se sabe... Foi ali, em algum segundo entre uma descoberta e outra que sua vida desmoronou, e bem diante de seus olhos, suas teorias caíram por terra. Deixou que desmoronassem, que caíssem.

Seus sentimentos jaziam no chão.
Podiam ser tanto... Acabaram nada.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

New Age

Quando mais nova, me descobri apaixonada por um menino. Bom rapaz. O como, quando e porque pouco importam agora. Só o que vale é que acabou. E o depois.
Foi difícil.
Cruciante, arrisco dizer.
(O que não é quando se tem 15 anos?)
E eu chorei por ele, todos os dias, por cerca de duas semanas. Muito preocupei aqueles que se preocupavam comigo, mas passou. E aqui, somente o como não importa. O quando foi certa manhã, manhã qualquer. Eu já sabia exatamente o que esperar do meu dia, daquele dia mais que de todos os outros. Sabia como seria vê-lo e não tocá-lo, sabia que ele se recusaria à falar comigo se eu optasse por novamente tentar... Mas logo ao despertar, com os olhos pesados pela noite mal dormida embalada por lágrimas bem choradas, foi que eu a vi. Por algum motivo eu havia esquecido de remover a maquiagem da noite anterior, e acabei dormindo toda pintada. Veja, à essa altura do campeonato as lágrimas já corriam naturalmente, e tanto, que eu nem sequer me preocupava em enxugá-las... Deixava que corressem. Até que eu a vi. A fronha do meu travesseiro, a minha preferida, uma branca, de seda, com desenhos tristes feitos acidentalmente. Sem cor. Só contornos. E pretos. O que havia escorrido dos meus olhos, dissolvido pelas minhas lágrimas havia secado ali.
Esse foi o porque. Foi ali, naqueles patéticos segundos, que eu prometi, em silêncio, ou melhor, jurei, pactuei sangue com a minha própria alma que jamais, nenhuma outra pessoa teria sobre mim tamanha influência e insano poder. JAMAIS.
Mal sabia eu que a partir dali seríamos só eu, e a minha promessa.
Sabe, pessoas não sabem como lidar com pessoas que são totalmente donas de si. Mas eu havia jurado, e pra mim mesma. E pra minha alma e peito aberto. E me senti obrigada a cumprir. E nunca mais me entregaria a ninguém. Jamais deixaria que fizessem o que bem entendessem comigo. Seria a minha vontade, ou nada. Por causa da estúpida fronha manchada pelos malditos desenhos nunca mais senti nada por ninguém, além de mim. Ou até sentia, mas aí dava um jeito, e revertia logo a situação.
Até agora.

E aqui só isso importa. O quando.
Que estejam todos bem avisados... Já comprei até uma fronha preta, só pra prevenir.