Sabe, toda dor carrega sua estupidez. Entendo isso agora, que me encontro mergulhada nela. Agora que olho pros lados e tudo que consigo sentir é saudade, apego, raiva, e passado. Mas não consigo explicar racionalmente o que eu sinto. Não consigo dizer porque eu sinto. Tampouco consigo deixar de senti-lo. E por isso a dor é burra. Todo sentimento que não carece de consentimento humano pra acontecer é ignorante. Não posso dizer quando quero que pare, ou quando começou. Só sei que ela está aqui.
É coisa de maluco esse meu compromisso inadiável com a tristeza. Mas com todo mundo é assim, eu só tenho coragem de escrever a respeito. Todo mundo sente dor gratuitamente. Se todos pensássemos, quando diante de uma grande tragédia - ou sentimento ruim qualquer - em todos os motivos pelos quais deveríamos ser gratos, não haveria tristeza no mundo. Porque tudo é motivo de gratidão. Até mesmo as lamentações. Através delas - e delas somente - é que nos fazemos fortes, resistentes. Não importa quanto tempo durem, ou na conta de quem as coloquemos. O que não mata, te faz mais forte. Né? Mas a verdade é que ninguém pensa assim. Todos nós nos esquecemos, a cada minuto, que só o minuto que passou já é motivo de um sorriso, e que nenhum gigante há de ser assustador o bastante pra fazer-se digno de uma lágrima.
Há três dias não saio de casa, e já cometi todos os tipos de atitudes autodestrutivas que poderia cometer. Agora é hora de dormir. E acordar feliz. Com a alma lavada, forças renovadas e minha querida tristeza, ida. Porque ser feliz, meu amigo... Ser feliz paga qualquer conta.