terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sorrow

Uma vez por bimestre (ou mais) tenho um encontro com a tristeza. Aí fico sem sair de casa por dois, três dias. Meus pais sabem que é assim, mas não deixam de se preocupar comigo. Meus amigos me ligam o tempo todo, embora eu não atenda uma ligação sequer. Nesses dias eu ponho a tristeza na conta de quem quer que apareça primeiro e me pareça mais conveniente. Dessa vez, coloco na conta do meu primeiro amor (de verdade). Parece bobo prometer amor aos dezoito anos. Mas continua sendo bobo quando ele dura três, quatro anos? Pra mim, não. Isso ajuda minha tristeza a criar raízes. O que, esquisito que seja, me deixa feliz. Abandono qualquer coisa que não possa ser explicada racionalmente, ainda que em partes. Odiaria amar alguém por estupidez. Embora não me importe de sofrer em nome da ignorância.
Sabe, toda dor carrega sua estupidez. Entendo isso agora, que me encontro mergulhada nela. Agora que olho pros lados e tudo que consigo sentir é saudade, apego, raiva, e passado. Mas não consigo explicar racionalmente o que eu sinto. Não consigo dizer porque eu sinto. Tampouco consigo deixar de senti-lo. E por isso a dor é burra. Todo sentimento que não carece de consentimento humano pra acontecer é ignorante. Não posso dizer quando quero que pare, ou quando começou. Só sei que ela está aqui.
É coisa de maluco esse meu compromisso inadiável com a tristeza. Mas com todo mundo é assim, eu só tenho coragem de escrever a respeito. Todo mundo sente dor gratuitamente. Se todos pensássemos, quando diante de uma grande tragédia - ou sentimento ruim qualquer - em todos os motivos pelos quais deveríamos ser gratos, não haveria tristeza no mundo. Porque tudo é motivo de gratidão. Até mesmo as lamentações. Através delas - e delas somente - é que nos fazemos fortes, resistentes. Não importa quanto tempo durem, ou na conta de quem as coloquemos. O que não mata, te faz mais forte. Né? Mas a verdade é que ninguém pensa assim. Todos nós nos esquecemos, a cada minuto, que só o minuto que passou já é motivo de um sorriso, e que nenhum gigante há de ser assustador o bastante pra fazer-se digno de uma lágrima.

Há três dias não saio de casa, e já cometi todos os tipos de atitudes autodestrutivas que poderia cometer. Agora é hora de dormir. E acordar feliz. Com a alma lavada, forças renovadas e minha querida tristeza, ida. Porque ser feliz, meu amigo... Ser feliz paga qualquer conta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Variável

Tem sempre aquele momento antes da decisão. (E tem sempre uma decisão.) O momento em que você decide se vai ou não atravessar a rua em que pode, ou não, ser atropelado. Em que escolhe, ou não, se apaixonar. Se vai viver, ou não, com medo. Se vai fugir, ou ficar, quando os problemas aparecerem. Namorar, ou abraçar a solteirice. Sair, e correr quinze tipos de riscos diferentes por segundo, ou ficar. Há sempre uma variável. O mundo é cheio de possibilidades esperando pra se concretizar.
Sempre fui o tipo de pessoa que ia. Nunca consegui permanecer por muito tempo entre o não e o sim. E, normalmente, pulava pro sim. Sem pensar por muito tempo, sem precisar sentir muitas coisas. É instintivo, sabe? O sim, quero dizer. A recusa é sempre mais difícil. Pode ser que em algum momento você se encontre diante de alguém que disse o sim que você não soube dizer. E se arrependa. Ou se alegre. Se arrepender de algo que você fez é mais fácil, eu acho. Você experimenta as sensações, a ansiedade, a adrenalina, a delícia e, só depois, quem sabe, a solidão. Mas você teve algo em mãos. Seus braços foram aquecidos e sua mente ocupada por algo concreto, não pela especulação de algo que nunca veio a ser.
Foi sempre o que me fez dizer sim. A possibilidade de me arrepender depois. Dezoito anos de escolhas erradas depois, vejo que dizer não é bacana. (Embora por vezes seja tão conservador quanto dizer bacana.) Ao dizer um não, um novo leque de possibilidades é colocado a sua frente. É diferente do sim. (Einstein! rs) Com o sim você tem aquilo e nada mais. Não sabe o que perdeu. Você tem a experiência, mas nunca vai conhecer todas as outras que poderia ter tido.
Não dá pra dizer não pra tudo, também. Dizer sim reserva sua beleza... O segredo é saber qual a escolha certa a fazer.
Já disse isso pelo menos uma vez a todas as pessoas que conheço, e é meio uma regra de fé e vida que levo comigo... Cada escolha, uma renúncia. Você diz não pra algo aqui, e algo imediatamente passa a te esperar ali. Sua vida não para na recusa. Sua vida começa na decisão. E é por isso que hoje, mais uma vez, anuncio publicamente que me recuso, e digo sim pra Jesus! Minha primeira escolha certa que, espero, resulte em uma sucessão de asserções.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Compensa!

Faço terapia há cerca de seis anos. Os bem humorados mentalizarão: ''E não adiantou nada?'' ha ha ha. Adiantou muita coisa, sim. E, pra mim, o ápice de todas as minhas (muitas) sessões foi quando questionei minha terapeuta a respeito da plausabilidade de uma autoanálise concluída esses dias.
Foi lendo textos antigos que me deparei com o fato de o tempo todo eu estar buscando agradar alguém (vide post passado). Ou declarando em alta voz que não queria agradar ninguém - o que acaba sendo a mesma coisa, haja vista que não consigo conceber uma existência que não busque aprovação (vide maioria dos outros posts).
O que minha autoanálise proclamava? Que afasto as pessoas no momento em que percebo que elas criam dependência minha, ou no instante em que me vejo menos independente. E isso tudo em nome de necessitar, por via de regra, ser o lado mais forte. Veja que o lado mais forte (da minha fantasia) não sente dor. É impossivelmente forte e eternamente inabalável. (Te lembra alguém?) Não tem como ser assim de pertinho. Até porque a proximidade exibe imperfeições até nas mais perfeitas esculturas. Quem dirá eu, que nunca tive forma muito exata, ou me considerei extremamente bem desenhada.
Então, na tentativa de proteger meus dependentes, me afasto alguns passos, deixando-os a uma distância segura de minhas imperfeições e medos e quedas. Sabe, não há quem suporte a ideia de sentir longe quem perto está, então acabo fazendo com que o outro se afaste também. (...)
O que eu quero dizer com tudo isso? Será que não tenho tentado - assim como faço com todos aqueles com quem me relaciono - ser mais forte que Deus? Ou ainda ser o deus da minha vida? Admitir minhas fragilidades e fraquezas perante Ele só as aumentariam, né? Provavelmente. Quanto mais perto de Deus eu estiver, maior será a clareza com que meus pecados e impurezas se farão óbvios diante de mim. E menor será a chance de eu deixar Ele ser o verdadeiro e único Senhor da minha vida - na tentativa de preservar minha independência e autonomia.
É pela luz da glória de Cristo que me sinto assim, tão suja e escura. Mas essa luz que me mostra as imperfeições, é a mesma luz que ilumina meu caminho rumo ao Céu. E, acredite, não há destino melhor que este.
O que torna o enxergar meus próprios defeitos valer a pena. O que faz o abrir mão da minha autonomia ser assustadoramente bem pago.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Change.

Uma das minhas maiores dificuldades em me ligar afetivamente é que, no começo, faço de tudo pra agradar. E pra isto faço uso dos mais diversos exemplos... Copio posturas de pessoas que julgo estarem em relacionamentos mais estáveis do que eu jamais estive. Roubo algumas frases e atitudes de algum romance que já vi ou assisti. Testo palavras e ações - e repito as que melhor agradarem o público... E funciona.
Mas, como minha mãe sempre me alertou, sou (de fato) muito diferente do resto do mundo. Então, embora a mudança seja efetiva e me faça feliz também, dura pouco tempo. Só até eu olhar pra dentro e não me reconhecer. (Num mundo de grandes egos, auto-(re)conhecimento é tudo.)
Pra mim é suficiente. Aí volto ao meu estado natural de uma forma tão abrupta que causo vertigens em mim e em quem quer que estiver próximo o bastante pra perceber a mudança. E pronto. Tem-se as dissensões. Isto aconteceu várias vezes ao longo da minha vida - arrisco dizer que em todos os meus relacionamentos - e, tenho certeza, se deve ao fato de a vida toda eu ter buscado agradar a pessoa errada. Estivesse eu buscando agradar à Deus, buscando fazer de meu caráter uma cópia do de Cristo, não enfrentaria essas dificuldades. Não porque agradaria a todos, haja vista que nem o próprio Cristo o fez. Mas por que qualquer semelhança que eu viesse a ter com Jesus limparia minha visão pra que eu enxergasse o então fardo de agradar os outros como uma manifestação do amor em sua mais pura essência.
No dia em que eu conseguir enxergar assim, agir dessa forma, terei parado com minha incessante e incansável (posto que jamais verei seu fim) busca de agradar os outros.
E, ainda que desagrade a alguns, estarei em paz em nome da certeza de estar, finalmente, agradando a Pessoa certa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Autoajuda às vezes ajuda

Existem algumas coisas que pretendo fazer antes de morrer. Nada muito simples, ou complexo demais. Coisas como carimbar o passaporte ao menos oito vezes com destinos diferentes, conviver por pelo menos três meses com situações de extrema pobreza e miséria, ver alguém ser batizado por influência minha, fazer uma roadtrip de (mínimos) quinze dias de duração, realizar dois sonhos específicos dos meus pais, (...). São coisas minhas, que provavelmente não farão sentido pra ninguém, e que talvez eu jamais chegue a realizar, mas planejar é saudável, sabe. Te ajuda a continuar, dar o próximo passo, viver o próximo dia.
Mas é só quando se nota quão frágil é sua existência que você percebe quão inúteis são os planos. (E, acredite, não importa quão fortes pensemos que somos, seremos sempre mais fracos do que em nossos pensamentos.) Melhor, quão vazio é dormir (e acordar) sem realizar. Esses dias o diabo me mostrou o rabo, e tive a morte a alguns passos de mim. Sem que eu tivesse realizado qualquer uma das coisas da lista (há uma lista!). Sem que eu tivesse expressado sentimentos à algumas pessoas por quem muito sinto. Sem que eu tivesse passado tempo me preocupando com o que de fato importa. Esse texto vai mesmo soar (e talvez seja) como aquelas chatices de autoajuda que tanto odeio. Aquela velha história de aproveitar o dia, de não dormir sem fazer o que precisava ser feito, dizer o que precisava ser dito, enfim... Você conhece a narrativa toda - tudo aquilo que todos nós sabemos mas que alguns de nós precisam ouvir às vezes.
Mas vou terminar com um apelo diferente, com um novo tipo de desafio. Não durma sem fazer as pazes com Deus. Abandone aquilo que te afasta de Seus caminhos, e volte-se a Ele. Deixe pra trás tudo aquilo que, convenhamos, precisa ser deixado. Pra que ao sentir sua própria fraqueza, a confiança na grandeza dEle leve embora todos os seus medos, dando lugar à certeza de que Seus planos serão sempre melhores.

:)

Cara nova pra antiga paixão e eterno confessionário.

De todo meu muito - que, acreditem, é muito - (mais) um pouco.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Primeiro.

Minha oração, já a algum tempo, é pra que os desejos do meu coração se alinhem com os desígnios de Deus pra minha vida. Bonito, não? Ideal, até. Mas o que tenho feito pra que isso de fato aconteça? Enquanto EU não estiver pronta pra abdicar de coisas que são minhas, Deus não poderá estar comigo e me conduzir pelos Seus caminhos.
Não é difícil de entender... Você não deixa um relacionamento pelo qual você preza em segredo. Ao contrário, quanto mais feliz a pessoa te fizer, mais você vai sentir vontade de exibir o objeto de sua afeição e motivo de sua felicidade ao mundo. Mas quantas vezes mantenho em segredo que Deus é (ou deveria ser) meu Senhor? Quantas oportunidades perco de ser um arauto das maravilhas que Deus já fez - e ainda faz - na minha própria vida?
Não saio com meu namorado e o deixo sozinho enquanto converso com meus amigos e, quem sabe, até dou uma moralzinha pro boa pinta que acabou de aparecer. Mas é isso que faço com Deus. O deixo na porta dos lugares. ''Espera aí, Senhor, assim que eu sair daqui a gente volta a conversar, eu volto a Te seguir os preceitos e percorrer o caminho, tá?''. Você não me esperaria. EU não me esperaria. Mas Ele espera. O mesmo Deus que livrou os israelitas ingratos da escravidão no Egito, é o Deus que quer me livrar, ainda que ingrata, da escravidão do pecado.
Faça diferente. Convide Deus pra sair hoje. Converse com Ele, queira saber mais sobre Aquele que, sobre você, tudo sabe.
(E, ainda assim, te ama.)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Someday

Tem dias em que a razão - enternecida pela apaixonada provocação a que me submetem os que de mim tentam se aproximar - quase cede e me faz enxergar tudo de um modo mais bonito. Mas até o quase dura pouco tempo. Só até as cicatrizes ameaçarem se fazer feridas pra me lembrar da dor que qualquer sentimento que não seja alimentado por uma mente livre de sentimentalismos gera. Nesses dias eu me visto menininha e saio pelas ruas a procura de um amor qualquer.
Neles eu acredito que há quem sinta desinteressadamente, e com devoção sincera e inabalável (como eu senti nas vezes em que abri as portas pro que se diz amor). Dificilmente há. Interesses esfriam conforme objetivos iniciais vão sendo alcançados. Consideração derrete a maneira que o coração da outra pessoa vai sendo aquecido e ela vai se permitindo ser conduzida. Mentes dispostas a envolver se disponibilizam apenas pros jogos tortos que conseguirem inventar.
Minha procura termina aí. Na ausência de encontros. Tem presença que me atinge, me apaixona... Mas as cicatrizes... As cicatrizes, o medo, o passado e tantas outras solidões entram na história, se fazem protagonistas e eu entro na encenação... Só que nunca é eterno, nem enquanto dura, posto que é brisa. Logo logo o amor se imprime em mim e eu me entrego aos seus encantos de novo e mais um ciclo se inicia.

Essa noite eu sonhei que estava amando. E que era amada. E feliz. Acordei e vestígios do sonho me ficaram nos olhos. É. Hoje vai ser um daqueles dias...

terça-feira, 28 de junho de 2011

End of the road

Caminho no acostamento. O que separa a estrada da estática do que fica no passado de quem passa. Acidentes acontecem, carros a toda velocidade passam a centímetros de mim, mas eu sigo. Tem gente que para, pergunta se eu quero carona... Mas não, tô muito bem, obrigada. O silêncio da minha própria mente já representa barulho o bastante. Os que passam por mim e seus ruídos, também. Não quero ouvir o som de outra voz. Isto só me afundaria mais no caos. Caminhar sozinha implica em paz. Significa que posso aproveitar o trajeto, degustar a paisagem, suas minúscias, seus defeitos, e até aprender com eles. Vejo pessoas sempre tão apressadas, seus desejos impossíveis, seus carros cheios de bagagem... Dá um desespero até, às vezes.
Mas dá vontade de ser assim também. Um carro grande, várias pessoas dentro, bagageiro externo pra abrigar todas as malas... Mas não. Levo só o que posso carregar. Mais simples assim. O que preciso ao alcance das mãos, o que trouxe de tempos idos e lugares passados pra me recordar do que um dia eu fui e um pouco do que ainda sou. Olhar pra trás fica mais fácil quando se está a pé, e isto pra mim é impagável. Poder olhar de onde vim, por quem passei. Pessoas desligadas esperando por uma segunda chance, lugares abandonados ao longe, sentimentos esquecidos, bons amigos perto o bastante.
Mas de tudo, maior que a delícia do silêncio, que estar (e ser) sozinha é a leveza com que posso enxergar meu futuro. Um passo de cada vez, e a distância de outros dez (ainda não percorridos) enuviada. A paz de um caminho ainda não trilhado esperando pela próxima decisão. Um piscar de olhos. É só o que eu preciso. O próximo passo.
E, se eu sigo em frente, certas coisas ficam para trás.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nada.

Tudo que levo e tenho é confusão. Mas uma revolução que começa e termina em mim, sem nunca criar forças suficientes pra se fazer externa. Meus mais altos barulhos só tem som dentro do meu peito. Meus maiores orgulhos e conclusões são meus, só meus. E permanecerão assim. Toda eficiente explosão mental acontece no interior da alma e não precisa de arauto. Acontece. O externo (e anunciado, posto que toda exposição é um anúncio) é apenas consequência disto. Do fogo que queima o segundo antes de agir. Do passado que a memória evoca sempre que me vejo diante de alguma coisa (qualquer coisa).
Por ser toda silêncios, nunca acreditei em pessoas barulhentas, em seus risos altos, seus choros agudos, suas felicidades eternas e perfeitamente estampadas. Não há sorriso que não se canse e/ou se entristeça. Não há mente lúcida que não se perca. Desacredito em constâncias - humanas, pelo menos. (Constância, pra mim, é exclusividade divina.) Todo mundo é um pouco triste. Toda aglomeração carrega sua solidão.
Os sempre felizes fazem questão de parecer. Faço questão de ser. Não espere que eu haja de maneira diferente do que eu sentir, quiser e me parecer certo. E isto não é fórmula de felicidade, se é que existe tal coisa. Talvez eu nem saiba o que é ser feliz ainda... É só sinceridade, coerência.
E o agir ser coerente com a vontade, e vontade alinhada com a razão, é paz.

domingo, 8 de maio de 2011

Be prepared to bleed

Ao meu lado na cama você pergunta, sem me olhar, o que há de errado em ser diferente. E apóia a cabeça nas mãos porque sabe que minha explicação vai ser longa e que não vai desanuviar sua mente. Eu digo que não há nada errado no diferente. Que certo e errado são conceitos relativos - igual a tudo que há no mundo - e que tudo é diferente, não havendo igualdade absoluta. Você expira pesado.
- Mas é, amor. Você não vê? Diferenças existem. Estão em toda parte... Nossas diferenças só não se encaixam. O que não significa que não se completem. Ou seria eu que, não acostumada aos seus jeito e gestos, não sei me mover de modo a me encaixar? Não sei. O que você acha?
Você me olha de canto de olho por um segundo ou dois. Deitada de bruços, com o queixo nas mãos, te olho diretamente o tempo todo. Mais uma pergunta que você não me responde. Nem ligo. Continuo com meu discurso sobre as diferenças... Até que me perco em algum lugar da sua boca. É sempre assim que eu perco a razão com você, em algo no seu lábio inferior que me faz perder o norte, o chão, a lucidez... E me perco feliz. Nem ligo. Você avança alguns sinais e eu volto pro meu posto e pro meu discurso.
- Dá pra você se comportar? Do jeito que tá, não dá - você ri. Mas então... como eu dizia, acho que nós precisamos entrar num acordo. Sobre todas essas suas ausências e silêncios, quero dizer. Não gosto disso, não. Quero que você faça questão de mim, dá pra ser?
Agora você está com as costas apoiadas na cabeceira, e me sorri com os lábios imóveis do jeito mais apaixonado do universo. E eu sei que você não vai mudar. Que é seu jeito de demonstrar e que é tudo o que eu vou ter, já que não consigo desistir de você. Não é aceitar por amor. Isso não é amor, amor. Acho que é resignação... Te querer tanto assim me condiciona às suas estranhezas. Mas eu continuo falando... E você escutando, rindo nos momentos certos, gaguejando pra argumentar porque sabe que eu consigo rebater qualquer argumento que você apresentar...
E ainda temos um dia todo pela frente.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pra um amante de diminutivos. (E só pra ele.)

Não sei se você ainda lê isso aqui. Eu também já nem escrevo mais... Sabia? Faz tempo que entrei nesse silêncio de palavras escritas - pelas faladas nunca me deixo sufocar, como você bem sabe. Enfim... A verdade é que não lembro de você como antes, que não te quero como antes e que fico semanas sem sentir a sua falta. Culpo o tempo por isso. E toda essa distância também. Faz tanto tempo que você foi pra tão longe. No começo era quase como quando você ainda estava aqui, a poucas quilômetros de mim... Agora passam-se meses sem que eu saiba de você e da sua vida sempre agitada. Sinto falta dela, meu amor. Dos seus segredos, revoltas, sons, desejos, planos e dizeres impróprios.
Uma vez você me mandou uma música do Incubus, Diamonds and Coal, lembra? Era nossa pior fase, e você achando que podia lapidar a pedra bruta que éramos nós... Você sempre soube me entender e aceitar tão bem, meu bem. Eu era tão incompreensiva, grosseira, egoísta, e cega. Ah como era cega. O melhor coração do mundo em minhas mãos e eu preocupada com o tempo e com o sapato que iria bem com tal saia. É... Falava da música. Então, a letra da música tá na barra de favoritos do meu navegador, nem sei há quanto tempo ela está lá, e, pra ser sincera, passo dias sem sequer notar sua existência ali. Mas quando eu lembro... Quando eu lembro é só saudade. Um clique, uma leitura rápida (já sei a letra de cor) e tudo volta. Quase posso te ver chegando pra me buscar, eu indo ao seu encontro, sua voz que se fazia bonitinha preu me apaixonar. E eu me apaixonava, me apaixonei... E já faz tanto tempo... Nem sei se você ainda pensa em mim, acho que não. Acho sinceramente que não.
Mas se você estiver lendo isso, ignore os motivos, os caminhos que te trouxeram até a leitura das minhas letras embaralhadas e meu texto sem revisão... Me procure. De um jeito ou de outro. Vou querer escutar seu sotaquezinho bonitinho independente da situação ou hora do dia. E que fique aqui registrado que você ainda mexerá comigo, se quiser.
Um beijinho no seu olhinho pequenininho,
Sua magrelinha.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Over and out.

É provável que nem nos desejássemos tanto assim. Aparecemos um pro outro com os corações bem vividos e cansados. O meu todo partido, o dela em recuperação. Então não era amor, talvez nunca viesse a ser. Mas era confortável, aconchegante. Não misturamos as vidas, um movimento que diz-se inconsciente, mas que, ela bem sabia, éramos nós querendo ter algo intacto pra depois. Isto, provavelmente, porque nos achávamos pouco demais. Um pro outro, ambos pro resto do mundo. Uma hora a delícia ia acabar. Pessoas como nós não merecem mais que vinte minutos de felicidade... E as cicatrizes já eram demais pra que quiséssemos outras... Daí toda a distância. Daí todo o perigo. Daí todo o interesse.
Mas o fim sempre agrava e aquece todos os tipos de paixões. Tudo fica belo, poético, comovente e romântico, e as pequenas coisas (a que não se dava atenção alguma) se transformam em grandes e bonitos monstros. Todos imaginários, claro, mas não menos assustadores por isto. Não importa que não se ame ainda, não importou que as vidas nunca tivessem sofrido alteração, precisa-se sentir dor. Dor assim, em nome da dor. Até porque, não há que atribuí-la a qualquer outra coisa... Seja como for, ela chorou os olhos, fez promessas de espera e resguardo pra si mesma no silêncio de seu próprio choro, tentou algumas ligações, ameaçou alguns atos impulsivos (e implosivos, caso fossem de fato cometidos), e a vida seguiu. Ou pelo menos ela gostava de achar que sim.
Eu? Meu coração já estava em pedaços quando ela me encontrou.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

And be loved.

Até que ponto meus amores eram apenas vestígios de um fogo cuja existência eu sequer posso comprovar, apenas meu corpo revestido de carência e meus sentimentos expostos e disponíveis pra quem quisesse ver e resgatar? Não sei. Sei que amei. Muito e o tempo todo. Sempre de um jeito diferente, uma hora com as mãos, com os lábios e somente em outras poucas, com o coração. Meu peito ardia com os sinais indiscretos de sentimentos que muitas vezes nem existiam, deveras vezes inventados, só pra que eu tivesse quem desejar antes de dormir e com quem sonhar durante o sono...
Dos meus amores e desamores extraí os mais necessários aprendizados... A maioria, acredito eu, em nome da minha incansável mania de ser minimalista no reparar e interpretar as coisas. Fato que falhei em metade das interpretações, mas mesmo destas, aprendi alguma coisa. De tudo aprendi alguma coisa. E agora o tempo me assusta novamente, dando suas caras apressadas em mais um ano que se inicia, quando eu sequer vi partir o que se foi. Não fiz votos, promessas, ou resoluções pra este, como fiz pra todos os outros... Mas não preciso tê-los feito pra ter certeza de que vou me apaixonar. Com a mesma intensidade que me apaixonei aos doze anos pelo primeiro amor. Com a mesma sinceridade que me entreguei ano passado. Com a mesma coragem que aos catorze.
Não sei pelo que, nem em que momento, mas as paixões sempre vem e sempre me carregam, neste ano não há de ser diferente.
E não sei pelo que anseio mais, pelas paixões, ou pelo aprendizado que delas sempre tiro.