Caminho no acostamento. O que separa a estrada da estática do que fica no passado de quem passa. Acidentes acontecem, carros a toda velocidade passam a centímetros de mim, mas eu sigo. Tem gente que para, pergunta se eu quero carona... Mas não, tô muito bem, obrigada. O silêncio da minha própria mente já representa barulho o bastante. Os que passam por mim e seus ruídos, também. Não quero ouvir o som de outra voz. Isto só me afundaria mais no caos. Caminhar sozinha implica em paz. Significa que posso aproveitar o trajeto, degustar a paisagem, suas minúscias, seus defeitos, e até aprender com eles. Vejo pessoas sempre tão apressadas, seus desejos impossíveis, seus carros cheios de bagagem... Dá um desespero até, às vezes.
Mas dá vontade de ser assim também. Um carro grande, várias pessoas dentro, bagageiro externo pra abrigar todas as malas... Mas não. Levo só o que posso carregar. Mais simples assim. O que preciso ao alcance das mãos, o que trouxe de tempos idos e lugares passados pra me recordar do que um dia eu fui e um pouco do que ainda sou. Olhar pra trás fica mais fácil quando se está a pé, e isto pra mim é impagável. Poder olhar de onde vim, por quem passei. Pessoas desligadas esperando por uma segunda chance, lugares abandonados ao longe, sentimentos esquecidos, bons amigos perto o bastante.
Mas de tudo, maior que a delícia do silêncio, que estar (e ser) sozinha é a leveza com que posso enxergar meu futuro. Um passo de cada vez, e a distância de outros dez (ainda não percorridos) enuviada. A paz de um caminho ainda não trilhado esperando pela próxima decisão. Um piscar de olhos. É só o que eu preciso. O próximo passo.
E, se eu sigo em frente, certas coisas ficam para trás.
terça-feira, 28 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Nada.
Tudo que levo e tenho é confusão. Mas uma revolução que começa e termina em mim, sem nunca criar forças suficientes pra se fazer externa. Meus mais altos barulhos só tem som dentro do meu peito. Meus maiores orgulhos e conclusões são meus, só meus. E permanecerão assim. Toda eficiente explosão mental acontece no interior da alma e não precisa de arauto. Acontece. O externo (e anunciado, posto que toda exposição é um anúncio) é apenas consequência disto. Do fogo que queima o segundo antes de agir. Do passado que a memória evoca sempre que me vejo diante de alguma coisa (qualquer coisa).
Por ser toda silêncios, nunca acreditei em pessoas barulhentas, em seus risos altos, seus choros agudos, suas felicidades eternas e perfeitamente estampadas. Não há sorriso que não se canse e/ou se entristeça. Não há mente lúcida que não se perca. Desacredito em constâncias - humanas, pelo menos. (Constância, pra mim, é exclusividade divina.) Todo mundo é um pouco triste. Toda aglomeração carrega sua solidão.
Os sempre felizes fazem questão de parecer. Faço questão de ser. Não espere que eu haja de maneira diferente do que eu sentir, quiser e me parecer certo. E isto não é fórmula de felicidade, se é que existe tal coisa. Talvez eu nem saiba o que é ser feliz ainda... É só sinceridade, coerência.
E o agir ser coerente com a vontade, e vontade alinhada com a razão, é paz.
Por ser toda silêncios, nunca acreditei em pessoas barulhentas, em seus risos altos, seus choros agudos, suas felicidades eternas e perfeitamente estampadas. Não há sorriso que não se canse e/ou se entristeça. Não há mente lúcida que não se perca. Desacredito em constâncias - humanas, pelo menos. (Constância, pra mim, é exclusividade divina.) Todo mundo é um pouco triste. Toda aglomeração carrega sua solidão.
Os sempre felizes fazem questão de parecer. Faço questão de ser. Não espere que eu haja de maneira diferente do que eu sentir, quiser e me parecer certo. E isto não é fórmula de felicidade, se é que existe tal coisa. Talvez eu nem saiba o que é ser feliz ainda... É só sinceridade, coerência.
E o agir ser coerente com a vontade, e vontade alinhada com a razão, é paz.
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