quinta-feira, 25 de junho de 2009

Falsa prestatividade

Tinha uma pessoa pra me servir café, uma pra tirar minha xícara usada, pra tirar meu carro porque tinha gente querendo sair... Alguém pra lavar meu cabelo, outra pra cortar, e um terceiro pra alisar...
Mas não tinha ninguém pra me tirar do abismo, pra me agarrar e me fazer dar um passo pra trás pra evitar que eu corresse riscos ainda maiores. Ou pra correr pro desfiladeiro e morrer por mim caso eu realmente me cansasse. Não tinha ninguém pra me devolver a minha sede de amar e a minha fome e tesão de viver. Ninguém pra revirar meu estômago pra ele voltar a funcionar, e pra segurar meu cabelo enquanto eu me prostrasse patética e frágil quando ele não funcionasse. Ninguém pra abrir minha boca pra mostrar os dentes em sorriso, e ninguém pra me amparar quando eu a abrisse pra mostrar os mesmos dentes, só que de desespero e dor, em prantos.
Me vejo tão frágil, tão insegura... Se me olho não enxergo força, nem tranquilidade. Não consigo sequer me imaginar dando passos firmes, sendo que, antes, tudo o que eu sabia era caminhar com eles. E a fragilidade - aos meus olhos - só é acrescida quando me recordo que dentro de mim já houve força suficiente pra combatê-los.
(E não faz muito tempo.)

Disseram-me que eu era nova demais pra estar passando por tudo isso, mas acho que não há idade certa pro que vivo. Acho que certo mesmo seria se ninguém, em nenhuma fase da vida, tivesse que passar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Como?

''No fim, é só você contra você mesmo.''
Li isso em algum lugar... Não me lembro aonde nem em que circunstâncias.
Mas acho que é exatamente assim. Não importa o quanto você se prepare, o quanto torça, se esforce, mude... Serão suas idéias positivistas contra as certezas trágicas que o mundo apresenta. Suas doces expectativas contra a amarga realidade... A despeito de quão sólidas sejam as bases que você pensou ter construído, elas podem - e vão - sucumbir a primeira brisa que soprar em direção contrária. Principalmente se suas bases forem pessoas, há nelas algo melancolicamente irônico que inspira confiança e nos motiva a depositar tudo o que temos em seus ombros, mentes, corações e mãos. Nelas nos sentimos tão fortes e seguros... E talvez seja essa a pior parte. Quanto mais forte você se sente, mais vulnerável você está.

No fim, é só você contra o mundo inteiro.
(E você mesmo.)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Às vezes eu temo esse tal de sentir falta. Mas, principalmente por antes de tudo, temer a presença que costuma vir mais tarde pra consolar o dano que a ausência causou. Tendo à enjoar das cores, das coisas, e infelizmente, das pessoas. O gostoso dura por pouco tempo, feito chiclete porcaria; o sabor é maravilhoso nos primeiros - poucos - minutos, depois fica só o gosto de nada numa massa quase imastigável. Daí se joga fora, já que ele não desempenha mais a função para que foi criado. Criado foi pra dar sabor, prazer, e quando nada mais dá senão dor de cabeça, aí é hora de pegar outro na bolsa e começar tudo de novo.
Outra coisa que eu sempre temi foi a perda dos meus maiores amores. Não são muitos, e talvez nunca tão grandes assim, mas são meus. E se minha vontade prevalecesse, assim permaneceriam até o fim de suas vidas. Mas não tem como. A vida deles - bem como a minha - segue seu curso natural, como era de se esperar desde o príncipio do fim. Só que dói. Dói assistir de camarote os velhos hábitos sendo retomados, as velhas amizades serem reconstruídas e as sempre biscates voltando à fazer parte da vida de quem um dia foi toda a sua. Talvez por isso eu nunca tenha me doado de fato e por completo à alguém. Por temer o momento em que partiriam, e o imenso pedaço meu que levariam consigo. Vê, me viro em mil cada vez que me deparo com algo que sempre foi meu e eu desconhecia, imagine o que seria de mim vendo o que eu consegui conhecer sendo levado embora... E o que é pior, indo carregado pela pessoa que um dia também me ''pertenceu''... (!!!)
E finalmente, temo o dia em que eu realmente amar alguém. Não pela metade. Mas amar de verdade assim... Amor! Devotando alma, coração e mente pra pessoa...

Não sei por qual motivo escrevo essas coisas... Talvez só seja hora de trocar a marca do chiclete por uma de melhor qualidade.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dois pra cá, dez pra lá ..

É sempre assim.
Dançamos ao som da mesma música já há quatro anos, menino. O ritmo já me cansou, ficar dançando quase todo o tempo, e sentada esperando sua boa vontade também. Já trago calos nos dedos dos pés, das mãos e nos braços. O mesmo para o coração, mente, e alma. E nunca muda. É sempre a mesma música. Sempre os velhos sorrisos, o mesmo violão, o abraço apertado, e o mesmo perfume. Vá lá, também não mudei muita coisa... Ainda trago aquele olhar de esperança, a casa com piscina, e o ouvido de pinico pra você falar o que bem entender sem sequer pensar antes.
Vai ver é por isso que você sempre volta. Vai ver por isso que eu sempre aceito seu retorno. Por você ser o único a não se importar. Ou por ao menos se esforçar em parecer assim.
Mas chega uma hora que enjoa, sabe? Você não arrisca uns passos diferentes, e eu fico admirada vendo os outros casais rodopiando pensamentos alheios na pista. Se ousa é só escondidinho, só eu vejo, e quando comento, ninguém acredita...
Malandro é o pato. É você. Faz ciente que desacreditariam quando eu contasse, caso eu contasse, e no final eu acabo desacreditando também... Sobramos, finalmente, eu, minhas expectativas, e um salão cheio de casais deliciando uns aos outros.
Tudo bem por mim, ótimo assim. Enquanto você me deixa no banco pra pagar bebida pra outra (ou pra ficar se querendo em frente ao espelho do banheiro), sempre aparece um bonitão, que me tenta de verdade, e esse sim... Esse sim faz rodopiar o pensamento dos outros. Dança coladinho, delicinha.
Mas você volta, você sempre volta. É só perceber que eu já tô quase pegando carona com meu novo amigo e vem voando atrás do prejuízo...
Você não precisa nem se empenhar. Não se preocupe com o paletó, com o sapato... Pode deixar que eu me arrumo por nós dois, menino. Não me venha com flores, nem cartas longas demais, nem com músicas dedicadas... Eu me declaro por você. Pra você. Só por você. Mas não espere exclusividade... Aliás, não espere nada. Não espere absolutamente nada. E se conseguir, me ensina?

... já faz quatro anos, menino. E se tem uma coisa que eu não vou esperar, é essa palhaçada completar mais um aniversário...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

31 dias.

Em um dia três de maio nasceu Maquiavel. Vicente López Planes também. Em um terceiro Napoleão foi enviado à seu primeiro exílio, na ilha de Elba. E num outro, em Chicago comemorou-se o primeiro Dia da Mulher.

Era domingo. Matemática, física e história depois, almocei e dormi. O hospital já me era rotina, portanto nem me importei muito com a ida. Me arrumei mesmo foi pra ir ao show do Paralamas. Insensibilidade a minha.
A família se reunia na recepção. A maior parte dela pelo menos... Abriram-se as portas do CTI e fomos todos pra lá, contudo não nos deixaram entrar... E no fundo no fundo, todos nós sabíamos (ou imaginávamos) o que isso queria dizer. A médica vem falar conosco e despeja sobre nós a pior notícia que poderia trazer. Ela iria, e seria naquela mesma noite.
Sabíamos que isso poderia acontecer, mas não ali, não naquele dia. Fazia (muito) frio, e as lágrimas quase congelavam com o simples correr pela nada ampla superfície do meu rosto. Sentia meus batimentos caindo compassados aos dela. O peso de um universo inteiro sob minhas costas. Uns e outros foram chegando e a cara de pavor se fez gritante no rosto de cada um. E agora? E agora?
Entramos pra nos despedirmos. Uns ficaram mais, outros nem sequer entraram. Todos choravam. Alisavam seu cabelo, pegam em suas mãozinhas. E a pressão caindo... E a pressão caindo. Aliviávamos toda a tristeza que podíamos em lágrimas. Cada um com seu sofrimento, todos com dor.
O pastor entrou, algumas palavras, umas orações, a unção. O aumento dos batimentos e a esperança que inundou o coração de todos que ali estavam... E ela dolorosamente (pra nós) se foi.

Isso tudo em um mesmo dois de maio. Muitos anos e sofrimento depois.