Mas não tinha ninguém pra me tirar do abismo, pra me agarrar e me fazer dar um passo pra trás pra evitar que eu corresse riscos ainda maiores. Ou pra correr pro desfiladeiro e morrer por mim caso eu realmente me cansasse. Não tinha ninguém pra me devolver a minha sede de amar e a minha fome e tesão de viver. Ninguém pra revirar meu estômago pra ele voltar a funcionar, e pra segurar meu cabelo enquanto eu me prostrasse patética e frágil quando ele não funcionasse. Ninguém pra abrir minha boca pra mostrar os dentes em sorriso, e ninguém pra me amparar quando eu a abrisse pra mostrar os mesmos dentes, só que de desespero e dor, em prantos.
Me vejo tão frágil, tão insegura... Se me olho não enxergo força, nem tranquilidade. Não consigo sequer me imaginar dando passos firmes, sendo que, antes, tudo o que eu sabia era caminhar com eles. E a fragilidade - aos meus olhos - só é acrescida quando me recordo que dentro de mim já houve força suficiente pra combatê-los.
(E não faz muito tempo.)
Disseram-me que eu era nova demais pra estar passando por tudo isso, mas acho que não há idade certa pro que vivo. Acho que certo mesmo seria se ninguém, em nenhuma fase da vida, tivesse que passar.