Sou submissa à superstição de pular as sete ondas que me persegue desde que me conheço por gente.
Decidi meu ano, enquanto percorria o pequeno trecho que separava a praia do meu apartamento, e sentia a água salgada pingando do saião (tinha acabado de pular as benditas), e escorrendo os pés, simultânea à água, igualmente salgada, que pingava dos olhos, e escorria a face. Me deixei cair na areia, a brisa do mar refrescar a mente e o coração, e os ocasionais pingos de chuva lavarem a alma.
Prometi me apaixonar, todos os então 364 dias (o primeiro já despontava, pelo menos era o que diziam as contagens das multidões da orla) que tinha pela frente. Sempre mais, e sempre por mim. Pra me achar forte e super heroína, e não me deixar desorientar por qualquer problema que saltar na minha frente. Quanto menos por qualquer bonitinho que me aparecer no decorrer do ano.
Prometi estudar como quem estuda pra passar pra medicina. Mesmo sem saber se é isso que eu quero realmente. E equilibrar, o não deixar ser dominada pelos estudos, com o não desviar o foco deles.
Prometi viver todos os dias destemida das minhas emoções, de demonstrá-las, expô-las, berrá-las. E me afastar de qualquer idiota que as temer.
Deixar fluir. Mas tentar pensar antes de agir, pra variar um pouco. Sem perder completamente, a inconsequência que consiste em me ser.
Me esforçar pra entender defeitos como uma daquelas peculiaridades que tanto gosto nas pessoas. Conviver melhor com elas, e com seus respectivos. Entender que a minha visão de certo e errado difere da visão dos outros, o que não torna nenhum dos dois errados, ou certos. São pontos de vista.
Comprar menos, e doar mais.
Parar com os palavrões! E freiar a língua sempre que der. Vai ver eles estão certos mesmo, vai ver eu tenho mesmo o dom de destruir pessoas com palavras.
Tentar ser mais flor, que espinho.
No mais, vou aproveitar cada segundinho de existência que Deus decidir me dar. E só.
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