quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mesma mente, paradeiro diferente

Como mudar faz parte de mim (e do mundo todo), é muito mais que natural e esperado que depois de quatro anos, eu mude de endereço. Fica o amor e um sentimento parecido com saudade da menina apaixonada que eu derramei tantas vezes por aqui.

Se quiser, me encontre aqui, em hora qualquer, do dia que preferir.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

If i never see your face again..

Era terça feira. E fazia calor. Lembro o ano, mas nunca o mês. Sei que foi ali, no hall de entrada. Abri a porta pro seu sorriso aberto e duas malas abarrotadas. Não sei se o tinha amado de fato até aquele momento. Acho que não. Algo no seu sorriso me convidou pra entrar. Um sorriso e eu nunca mais cogitei partida. Você nunca sequer ameaçou ir embora. Até agora. 
Mal chegou e foi logo enchendo os cômodos sempre vazios aqui em casa, aqui em mim. Sua presença avassaladoramente segura. Seus olhos míopes que sempre conversam comigo olhando pra boca, absorvendo o que as palavras escondem. As mangas das camisetas que são sempre o abrigo preferido das minhas mãos. Seus ombros. A barba. Te amo tanto, tanto. Cada um dos seus detalhes. Cada uma das diferenças. 
A menina mimada que eu posso ser só com você. As discussões que só você sabe como ganhar. Minha alma flutuar com o beijar da sua. Sair de nós dois sorrindo, mas ainda perto, que é pra te ver morder os lábios e sorrir, querendo mais. As gracinhas mais sem sentido, os modos menos ensaiados possíveis, a vergonha que já não temos... Nosso amor é um erro no cálculo da amizade. E por isso tão belo. Por isso tão puro.
A primeira vez que você disse que me amava. Lembra? Era nossa milésima despedida, e você entendeu quando eu disse que não conseguiria dizer o mesmo. Sabia que era recíproco. Aquele dia na saída do cinema, ainda no começo de nós dois, que você queria me levar pela mão. Me ouvi dizer que não fazia aquilo, que não dava a mão. E vi sua carinha assustada em resposta. O medo de me beijar por não confiar no próprio desempenho. Surpresa foi desempenhar a função como nenhum outro antes (ou depois). Era tão menino, o meu amor. Tão menino. Agora te vejo todo homem fazendo as malas, saindo pra conquistar o mundo sem mim. 
Mas tá. Ainda vai ter você nas paredes, no hall, no carro, ao telefone, nos sofás, na marca de copo na mesa de centro, umas camisetas na roupa pra passar... Ainda vai ter nós dois. Então eu não vou ter medo, ou arriscar tentativas desesperadas de fazer ficar. Não vou temer a solidão tendo estado em tão boa companhia. O futuro não assusta quando o passado serve de consolo. 

E um amor tão bonito não terminará caminho sem antes, mais uma vez, se cruzar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dancing in the minefields

Um jeito miúdo de ver a vida. Só quis que enxergasse a imensidão de novas salas e salões com incontáveis casais dançando. Quis que sua visão se ampliasse. Que seus olhos se abrissem. E só o amor abre. Disse que pode haver dança no silêncio, e percebi que já sabia, mas só depois. Até me ensinou uns passos novos, por mais improvável que isso pareça, até mesmo pra mim, que estava ali, aprendendo. Abri seus olhos temendo que, com eles abertos, só me visse a mim. Não queria isso. Queria que soubesse amar o mundo, como eu sei. E acho que você também, no fundo. Tão linda dançando amor sozinha, somente por não acreditar que se pode amar a mais de um alguém ao mesmo tempo. E, uma pena, mas nenhum, aos olhos seus, fazia-se digno de gladiar seu amor só pra si. Aí seguia amando tudo, mas de uma maneira impessoal, distante. Esperando que o amor lhe aparecesse desenhado por seus sonhos, com os braços dispostos e o coração aberto pra te receber. Esse amor vai chegar. Cê sabe disso, né?
Tive medo quando vi sua devoção. Tive muito medo. Era isso que eu temia o tempo todo, bonita. Por isso me afastava, de vez em quando. Não era minha intenção fazer-te me amar assim, desse tanto. Queria que fosse superficial, assim como eu acreditava que era possível ser - jurando que você acreditasse também. Até que te vi me lançando olhares esperançosos do outro lado do salão. Você sorria tímida. Esperando que eu fosse até você, que eu te chamasse pra dançar. Foi aí que percebi que havíamos ido longe demais. Talvez se tivéssemos conversado antes... Sabíamos que o momento da decisão chegaria. Não se passa impune por brincadeiras de amor, pelo menos não por muito tempo. E nós dois sabíamos qual seria a decisão. Você deve me julgar covarde. Lembro que me disse que o que você mais odiava do seu passado, era aquilo que você queria ter feito, e não fez. Não queria ser isso pra você. Um ponto de interrogação. Já passei tanto por isso, por essas situações impossíveis de amor, que minha pontuação preferida passou a ser as reticências. E você ainda não aprendeu a virar uma página sem que o último caractere tenha sido uma exclamação. Espero que isso não mude. Sua intensidade pra amar é uma das suas características mais bonitas. Até pq, qualquer um que te conheça um pouco, vai saber dizer que, se for carinho, e vindo de você, não tem como ser mentiroso.
Sinto sua falta antes de dormir, às vezes. Das minhas partes preferidas de você. Seus textos e emails e mensagens e quinze mil declarações. Sua carinha amassada no começo do dia. Nossa conversa e a maneira fácil e familiar que você introduzia amor em cada uma das suas frases. Você preenchia meus dias, e eu podia ser egoísta e te querer de volta, sei que você me receberia. Mas também sei que está melhor sem mim. Então continua, que nem que a duas semanas do meu casamento, a gente se encontra.


Ps. Comecei a escrever isso agora, que cheguei em casa. Fui tirar as chaves do bolso da calça, e encontrei um bilhete. Numa caligrafia desconcertada, quase tímida, você dizia: Ilustre desconhecido, pelo que dura uma impossibilidade, fui terrivelmente apaixonada por você.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Filantropia

Todo alguém é o alguém de alguém. Pelo que durar um abraço, o que couber em cinco minutos, ou o que compreender toda uma vida. A duração aqui não importa, o que importa é pertencer. Pode ser que se queira por amor, pelo carinho, luxúria, carência.. O que for. O motivo da existência, aqui, é tão subjetivo e desimportante quanto as aparências que um mesmo amor pode ter por diferentes óticas. E por isso que julgar nessas horas (e em todas as outras), é ato falho tão grave.
Importa que se queira. E que lute os meios possíveis pra que a vontade deixe o status de desejo e passe pro rol das conquistas. (Porque doar é conquista como qualquer outra.) O ser humano nasce esperando pelos momentos em que será o que quer que seja, desde que o seja pra outra pessoa. Tudo o que eu já fui, até hoje, foi pros outros. Meu desespero, sorriso, alegria, abraço, cansaço... Já os entreguei todos. Pegando de volta toda vez, claro, mas entregando de maneira sincera sempre que o fazia.
Acho que por isso que não me enxergo toda, que sou tão perdida e tenho tamanha dificuldade em sustentar decisões.. Ainda que pegasse de volta, o que me devolviam eram apenas fragmentos do que eu havia entregue. Não dá pra tomar uma decisão acertada sem antes conhecer todos os fatos. Não dá pra decidir sem todas as partes. Não consigo raciocinar satisfatoriamente em estado menos perfeito que o da minha própria confusão (inicial).
Já me doei demais, também. O tempo todo, na verdade. Ser algo mecânica talvez facilitasse as coisas, mas não. Preciso obrigatoriamente saltar de um precipício de emoção pra desejar bom dia pra alguém, ou sorrir pra um desconhecido qualquer na rua. Não pode ser apenas um cumprimento, apenas um sorriso.. Tem que ser de corpo inteiro, com o que puder a alma e pretender o coração.
Pertencer tanto acaba fazendo que pouco seja pra si mesmo. Meus dias mais cansativos são os dias de maior amor. Em que minha intensidade (que intrínseca) dança com as doações que só amar conhece. A despeito do conteúdo, quantidade ou qualidade, doação de amor não se pega de volta. E aí que começa a necessidade que disse, antes, que todos temos em pertencer. A lacuna que o amor deixou, só amor pode satisfazer e, em um mundo de corações egoístas, você precisa dar pra só então, quem sabe, receber. O que implica em cada vez maiores e mais significativas cessões. Mas calma, copo verdadeiramente cheio é sempre aquele que se esvaziou, conforme descobri.

Ontem eu me doei em gesto de amor pela milésima vez pra um mesmo abraço. O vazio que fica dessa vez, é a certeza que ainda mais sincera que o toque, foi a entrega.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Inside story.

Ou mantenho meus dois olhos bem abertos, e enxergo o chão, o céu, e consigo não correr grandes riscos de graves acidentes, ou os fecho de uma vez, sem temer a possível (e provável) colisão. Quando cautelosa e buscando ciência do perigo - assim fazendo crescer o medo - acabei vendo pessoas experimentando o que, não fosse minha recusa, agradaria ou irritaria somente o meu paladar. Isto se deu por vezes demais. Ou apenas vezes suficientes pra que eu me convencesse de que a vida é mais bonita quando vivida com os olhos fechados.
Já os mantive abertos por tempo demais, de modo que pelo toque, e com a ajuda da memória, consigo sentir, de uma forma ou outra, o que está diante de mim. Por mais que na triste maioria das vezes, prefira calar a voz que pede parada, eu sigo em frente - ainda que saiba estar diante de perigo. E não é inconsequência em sua mais pura forma, até pq a razão dorme e acorda junto com meus sonhos.
É como uma incansável mania de idealizar coisas. Se meus olhos estão fechados, não sei precisar o que está ao meu redor. Posso sentir, tocar, imaginar, mas, certeza, assim, não tenho. E não me faz falta. Crenças religiosas e regras de fé postas de lado, qual a utilidade de ter certeza de alguma coisa (qualquer coisa) nesse mundo em que o que era há dois segundos já não é mais? Foi a transitoriedade das coisas que me cerrou os cílios. E grandes perdas que tive por focar a vista em impossibilidades que me fez perder o medo.
Deveras vezes tenho minha confiança traída... Meus saltos podem ser entendidos como descaso. Nem julgo quem assim os entende, mas condenar aqueles que se utilizam de tal interpretação pra agirem de maneira leviana me é quase inevitável. Não entendo como pode ser tão difícil valorizar afeto dado sem que primeiro seja conquistada a confiança. Na verdade, entendo. Mas não aceito. E não vou ser conivente com isso. Que me doam os calos pelo descaso alheio, risada de olhos fechados é meu melhor riso.

(É difícil, às vezes. Mas pelo menos minhas perdas serão atribuídas à minha inocência - que não confunde-se com descaso-, não à minha ingratidão. Pode até ser que lá fora faça muito frio. Eu não saberia dizer. Só sei que aqui dentro... Aqui dentro é sempre quente demais.)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Do lado de cá

Passado é lugar imprudente pra passar o tempo. Mas hoje meu céu não tem estrelas, e no escuro meus olhos não enxergam além. E sempre precisei do menor vislumbre de futuro que fosse, pra que pudesse aproveitar o presente. Já que não dá, já que não tem, olho pra atrás. Mas, calma, não dói. Não sei precisar até quando minha imprudência passará impune, mas por enquanto ela não me faz sentir nada senão gratidão. Estou aqui, talvez não como queria, não onde planejei... Mas estou aqui. Só o fato de existir me faz feliz. Mas é que no passado enxergo tanta gente que há tanto não vejo mais, abraço tantos braços que hoje embalam tantos outros corpos, beijo tantos olhos que há muito não me contemplam... Não é como se estivesse passando de novo por caminhos já trilhados, tô só sentada num banquinho a beira da estrada me vendo passar. Tem visão que deixa amor nos olhos, mesmo depois de fechados. Meu passado é assim, pra mim. Merece todo meu afeto. Vejo gente que enriquecia a alma. Um Deus sempre bom que atendeu meus pedidos de um jeitinho que sempre surpreendeu. Alegria que excedia o peito, e saía gritando, desafinada e desatenta, mas anunciando sempre amor. (Amor sempre foi obrigação, e alegria consequência.) Imaginação com poder de realidade. Palavras com sentido (e sentimento) de ação. E percebo feliz que, pra cada distância, sempre houve - e, espero, haverá -presença que a curasse e preenchesse o vazio. Vejo que meu jeito não mudou muito com o passar do tempo... Podia muito bem estar me observando nos dias atuais, mas com outras companhias e um corte de cabelo diferente. Observo que até mesmo meus encontros podem ser tipificados como fugas. Que permaneço só até o cansaço deixar, e que qualquer minuto a mais é sacrifício demasiado grande pro coração andarilho. Que temo a proximidade por ter medo da saudade, e escondo vontade pra não ter que construir futuro. Mas que meu abraço foi aquecido sempre que minha existência encontrou-se com outra igualmente intensa, mas superiormente apaixonada (se é que é possível.). Que meus olhos foram felizes sempre que encontraram crianças sorrindo, ou que se encontraram com outros olhos... Quando repousaram em ruguinhas de sorriso ou de histórias pra contar. Que tive meu coração acelerado por mais vezes do que poderia contar, e quantidade imensa de amantes e amigos leais pelos quais agradecer.
(...)
Dá pra passar o dia todo aqui, buscando no passado refúgio (ou explicação) pro que tem pra hoje. Mas já tá quase na hora de dormir... E, quando meu destino finalmente acordar pra vida, eu quero estar bem desperta e presente, que é pra poder pedir nós dois.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Mail.

Guarda o passado na memória, menina. Que o que passou seja lembrança, não pensamento. Pessoas precisam sorrir os lábios que só você sabe abrir. Precisarão ouvir palavras que só você saberá dizer. Receber o abraço que só seu peito abriga. Sentir a calma que seu rosto em paz traz. Esquece o passado na retaguarda e andecomigo agora.
Deixa que o dia de hoje nasça e cresça dentro de você. Seu presente é Meu presente pra você! Contente-se com ele. Caixão não tem gaveta, então não se preocupe em ajuntar pra levar consigo. Nada irá com você. O máximo que você pode fazer é preocupar-se com o que vai deixar pra trás. Em como ficarão os sentimentos a seu respeito no coração das pessoas, a impressão que você deixará em suas mentes. Que lições você tem ensinado. Só. O que fica, fica com as pessoas que ficarão. E isso você pode mudar, mas só se for agora. Só se for hoje.
Estarei te olhando aqui de cima. Minhas mãos estarão entrelaçadas nas suas nos momentos em que você cambalear e pedir socorro. Meu colo é seu. Sempre seu. E sei que você foi ensinada a desacreditar no ''sempre'' como duração pra qualquer coisa. Mas pode confiar! Guardo os segredos da eternidade, sei do que estou falando. Espero que você se lembre de Mim quando os problemas chegarem. Quero que você me veja aqui. Porque não deixei de te olhar. Nem por um segundo desde que de sua existência vida se fez.
Não se preocupe com o futuro. Ele mandou dizer que vai chegar atrasado (e que talvez acabe nem vindo) se você continuar o apressando assim, desse jeito. Vou fazer com que ele bata na sua porta somente quando você estiver pronta pra recebê-lo. Nem um minuto antes. Nem meio segundo depois. Deixe de se preocupar com o que foge de seu controle. Não procure evitar o inevitável. O amanhã vai chegar. Mas só daqui a 24h.
Tô te esperando voltar pra casa. Faz tanto tempo que você se foi... Temos tanto pra conversar... Pensando bem, acho que vou te buscar. Arruma o coração, prepare seus amigos e aperta o passo.. Tô correndo pra te abraçar. Corre também?

Com todo amor do universo (e sem exageros),

seu Pai.