Faço terapia há cerca de seis anos. Os bem humorados mentalizarão: ''E não adiantou nada?'' ha ha ha. Adiantou muita coisa, sim. E, pra mim, o ápice de todas as minhas (muitas) sessões foi quando questionei minha terapeuta a respeito da plausabilidade de uma autoanálise concluída esses dias.
Foi lendo textos antigos que me deparei com o fato de o tempo todo eu estar buscando agradar alguém (vide post passado). Ou declarando em alta voz que não queria agradar ninguém - o que acaba sendo a mesma coisa, haja vista que não consigo conceber uma existência que não busque aprovação (vide maioria dos outros posts).O que minha autoanálise proclamava? Que afasto as pessoas no momento em que percebo que elas criam dependência minha, ou no instante em que me vejo menos independente. E isso tudo em nome de necessitar, por via de regra, ser o lado mais forte. Veja que o lado mais forte (da minha fantasia) não sente dor. É impossivelmente forte e eternamente inabalável. (Te lembra alguém?) Não tem como ser assim de pertinho. Até porque a proximidade exibe imperfeições até nas mais perfeitas esculturas. Quem dirá eu, que nunca tive forma muito exata, ou me considerei extremamente bem desenhada.
Então, na tentativa de proteger meus dependentes, me afasto alguns passos, deixando-os a uma distância segura de minhas imperfeições e medos e quedas. Sabe, não há quem suporte a ideia de sentir longe quem perto está, então acabo fazendo com que o outro se afaste também. (...)
O que eu quero dizer com tudo isso? Será que não tenho tentado - assim como faço com todos aqueles com quem me relaciono - ser mais forte que Deus? Ou ainda ser o deus da minha vida? Admitir minhas fragilidades e fraquezas perante Ele só as aumentariam, né? Provavelmente. Quanto mais perto de Deus eu estiver, maior será a clareza com que meus pecados e impurezas se farão óbvios diante de mim. E menor será a chance de eu deixar Ele ser o verdadeiro e único Senhor da minha vida - na tentativa de preservar minha independência e autonomia.
É pela luz da glória de Cristo que me sinto assim, tão suja e escura. Mas essa luz que me mostra as imperfeições, é a mesma luz que ilumina meu caminho rumo ao Céu. E, acredite, não há destino melhor que este.
O que torna o enxergar meus próprios defeitos valer a pena. O que faz o abrir mão da minha autonomia ser assustadoramente bem pago.
Um comentário:
francamente. que bom lê-la. saudações.
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