Ao meu lado na cama você pergunta, sem me olhar, o que há de errado em ser diferente. E apóia a cabeça nas mãos porque sabe que minha explicação vai ser longa e que não vai desanuviar sua mente. Eu digo que não há nada errado no diferente. Que certo e errado são conceitos relativos - igual a tudo que há no mundo - e que tudo é diferente, não havendo igualdade absoluta. Você expira pesado.
- Mas é, amor. Você não vê? Diferenças existem. Estão em toda parte... Nossas diferenças só não se encaixam. O que não significa que não se completem. Ou seria eu que, não acostumada aos seus jeito e gestos, não sei me mover de modo a me encaixar? Não sei. O que você acha?
Você me olha de canto de olho por um segundo ou dois. Deitada de bruços, com o queixo nas mãos, te olho diretamente o tempo todo. Mais uma pergunta que você não me responde. Nem ligo. Continuo com meu discurso sobre as diferenças... Até que me perco em algum lugar da sua boca. É sempre assim que eu perco a razão com você, em algo no seu lábio inferior que me faz perder o norte, o chão, a lucidez... E me perco feliz. Nem ligo. Você avança alguns sinais e eu volto pro meu posto e pro meu discurso.
- Dá pra você se comportar? Do jeito que tá, não dá - você ri. Mas então... como eu dizia, acho que nós precisamos entrar num acordo. Sobre todas essas suas ausências e silêncios, quero dizer. Não gosto disso, não. Quero que você faça questão de mim, dá pra ser?
Agora você está com as costas apoiadas na cabeceira, e me sorri com os lábios imóveis do jeito mais apaixonado do universo. E eu sei que você não vai mudar. Que é seu jeito de demonstrar e que é tudo o que eu vou ter, já que não consigo desistir de você. Não é aceitar por amor. Isso não é amor, amor. Acho que é resignação... Te querer tanto assim me condiciona às suas estranhezas. Mas eu continuo falando... E você escutando, rindo nos momentos certos, gaguejando pra argumentar porque sabe que eu consigo rebater qualquer argumento que você apresentar...
E ainda temos um dia todo pela frente.
Um comentário:
Isso foi plágio? Ou é seu mesmo? Heehehehheeh. Não vale dizer que não citou a fonte porque se esqueceu, se for isso, plágio! Caso contrário, bom, alias, muito bom!
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