terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fim de(o) mundo

Engraçada a hipocrisia das pessoas ao cobrarem coisas que não fazem. Cobram-se sentimentos que não ardem. Cobra-se atenção que não é dispensada. Respeito que não é dado. Fidelidade que no inverso, é até duvidável. Intimidade sem tempo juntos. Tempo juntos. Mesmo que tal beire o impossível. Cobra-se maturidade, mesmo que a falta dela, em si, abunde. Segurança, quando tudo o que fornecem é instabilidade e tudo o que geram é medo.
Não se preocupam com a pessoa que cobram, nem se atrevem a pensar que talvez o que ela esteja dando seja seu máximo, mesmo sendo esse, pouco. Não se colocam nem por instantes no lugar da pessoa cobrada, forçada, exigida. Não sabem das dores que sentem. Das feridas que o passado causou, e que o presente insiste em agravar. Não sabem aonde dói, nem o lugar certo para as cócegas. Mas se acham no direito de cobrar conhecimento.

Exige-se o mundo, e em troca dão uma cidade com dois mil habitantes.

Já sujei minhas melhores sandálias nas suas ruas sem asfalto, minhas mãos pra você sempre ter flores no jardim, e minha alma para que seu rosto carregasse um sorriso sempre largo. E você insiste em querer mais, mais e mais. Quando tudo o que eu quero é ficar um pouco quietinha, virar um montinho de ossos e carne. Quem sabe juntar nossas peles, pra ter o quente do seu abraço no meu corpo, e o macio dos seus lábios, nos meus. Não gosto de ficar me mexendo, me mudando. Mas você tem essa sua inquietude. Sente-se no direito, e dever, de me cobrar impostos pra morar nessa merda de cidade que é a sua...

Pois bem, quero que explodam, você, e sua cidadezinha de interior.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sinto falta dos seus textos..

Fê Machado disse...

O bom é saber que todo fim é o começo de uma nova era (melhor, se assim nos permitirmos)

Pedro Martinez disse...

Amor, lindo teu texto!
Parabéns!
Vou botar teu blog nos links favoritos do meu!