É bem verdade que o tempo todo eu me escondo, temerosa. Não quero sentir meu coração apertado de novo. Dor de término é a pior das dores. Parece que tem um filho da puta puxando seu coração pra fora com as mãos. Parece não, tem.
Sempre levam generosos pedaços meus. E na hora de devolver meu coração no lugar, cansados de fazerem suas brincadeirinhas sádicas, o devolvem de qualquer jeito, sem curativo pros machucados, e sem parar pra reparar se o deixaram no lugar exato que haviam tirado. E eu fico aqui, sangrando. Com o coração doído. O peito aberto há dias já cheira mal. E eles nem aí. Eu doendo, e eles nem aí.
Demora um pouco, ou nada, mas eu me recupero, sem-pre. Com o tempo as feridas vão criando casquinhas, que eu tanto gosto de cutucar de vez em quando, quando a felicidade tá cansativa. Mas até de cutucar as casquinhas eu canso, aí eu tomo meu tempo, me afasto e esqueço do mundo, e as minhas feridinhas vão virando cicatrizes, uns pontinhos altos e um tanto quanto doloridos. Mas só. Já não dói pra respirar, nem dá vontade de parar.
Bom olhar pra dentro, e contemplar todas elas ali, doloridinhas, mas já parte de mim, do meu passado, objetos de grande parte do meu aprendizado.
Por isso bonitinho, manuseie meu coração com carinho, e na hora de me devolver, devolva com cuidado. Afinal, ninguém quer ver você se transformando em um pontinho, um nada. ;)
Um comentário:
Ver o peito aberto e o coração batendo descompassado dói, a recuperação dói, e é bom. Faz crescer!
Vejo que você sabe lidar muito bem com suas dores e conhece seus limites, até brinca com eles...
Assim o que tu corre o risco de perder é bem menor do que tu corre o risco de ganhar.
Só não deixa o peito ficar aberto tempo demais, às vezes bactérias invadem teu corpo e você só percebe quando já é tarde demais.
Abuse dos check-up's
Abç!!!!
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