Tô chateada. E desconheço meus motivos. Aí eu coloco meus pés em uma piscina que vem acompanhada de uma paisagem de tirar ao fôlego, e fico pensando. Não sei aonde essa piscina fica, nunca vi lugar sequer semelhante. Sei que é funda, muito funda. Eu molho meus pés, e penso na vida, simultaneamente. Até eu perceber que a atividade repetitiva que meus pés estão realizando, agravadas pela ação prolongada da água, fez com que minha pele ficasse finíssima, quase transparente.
Aí me vem na cabeça aquela idéia que assalta a gente de vez em quando, quando os problemas são grandes e assustadores, quando se cansa de tentar achar solução pra eles, ou até mesmo quando a preguiça, ou o conformismo tomam conta, e nem procurar a solução a gente quer. Só quer um quartinho bem pequenininho, escuro, sem som, sem cor, sem nada. Só ficar sozinho, virar um encolhidinho de ser humano.
E se eu me afogar?
Não vou ter que lidar com esse problema, que eu nem sei qual é, nem com os milhares que eu SEI que tenho pela frente... Nunca achei que pudesse tomar esse tipo de decisão de uma hora pra outra.
(Graças a Deus!)
Esqueci dos outros problemas um pouquinho, e me concentrei só nessa idéia idiota que me invade de vez em nunca. Fiquei tão absorta em pensamentos, que nem notei que o nível da água da minha piscina baixava, e baixava, e baixava. A água se esvaia, e eu nem sei pra onde.
Depois de certo tempo, nem meu pé mais a água molhava. Aí que eu finalmente percebi, que a piscina nunca tinha sido funda. Que a água não batia nem no meu peito. Era só mais um daqueles truques que a água faz, que o professor de física ensinou milhares de vezes, sem eu ter prestado atenção em nenhuma.
Eu ri. Ri da minha própria estupidez.
Porque não importa o tamanho dos meus problemas, eu vou ser sempre maior que eles. Vou ser sempre maior que meus problemas. Que tudo! Nunca vou me afogar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário