Queria ser mais simples, mais compreensível. Devo ser realmente intragável, deve ser impossível de se conviver bem comigo. Não controlo o volume da voz, e tenho uma incapacidade tremenda de guardar meus pensamentos pra mim. Vivo vomitando palavras e insanidade nas pessoas. Acho que as machuco às vezes. Eu nem noto, nem paro pra notar. Vomito e continuo andando, esperando a ânsia incomodar o estômago de novo. E assim eu vou indo, desde que me entendo por gente.
Mas meu egoísmo atinge seu ápice quando eu paro pra me preocupar com o que as pessoas pensam e falam sobre mim. Não me importo com seus egos e sentimentos feridos... Me importo com as notícias que espalham. Mas nunca o suficiente pra mudar postura e colocar uns freios na língua.
Também tenho uns momentos de liberdade plena, quando eu desisto do mundo, e esqueço até das pessoas, do juízo que devem estar fazendo de mim. Hoje é um desses dias. Desisti de tudo. Pela milésima vez. E tenho certeza que não pela última.
Como é bom... Esse sentimento de liberdade, esquecer o que os outros pensam por uns minutos, se concentrar nesse emaranhado de contradições que sou eu. Nessas horas eu viro só minha namorada.
Aí eu me apaixono por mim, por cada detalhe, delícia, ou defeito.
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