terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Retrocedendo

Volta e meia quando tô cansada do mundo, visto um pijama, e vou deitar no meinho dos meus pais. É algo meu desde que aprendi a querer as coisas, hábito que eu cultivo. Muito se passou desde então, hoje tenho meus consideráveis 1,74 de altura. Não dá mais pra dormir a noite toda com eles. A noite de ontem foi uma dessas.
Aí no meio da madrugada, eu sou acordada de súbito pelo meu pai que fala:
- Vai pra sua cama, Chochô.
Levantei, dei uns poucos passos, tropeçando em mim mesma, feito bêbada. E me joguei no meu colchão que ele foi buscar no meu quarto e colocou ali, do lado dele.
- Boa noite mama, boa noite Téti.
Me ajeitei no colchão, e me deixei envolver por toda a doçura e simplicidade do momento.
- Não vai ser sempre assim – berra meu lado esperto, que não se deixou envolver, e nem tampouco está sonolento o bastante pra ser persuadido do contrário.
- Ah! Quer saber? Vai sim!
- Não, não vai.
Termino com a fala tirada de um dos livros da infância, - Vai sim. E tenho dito, e pronto.

Uma ultima arrumada da cabeça no travesseiro, e dormi, leve, ainda mergulhada naquele êxtase infantil.

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