Em um dia três de maio nasceu Maquiavel. Vicente López Planes também. Em um terceiro Napoleão foi enviado à seu primeiro exílio, na ilha de Elba. E num outro, em Chicago comemorou-se o primeiro Dia da Mulher.
Era domingo. Matemática, física e história depois, almocei e dormi. O hospital já me era rotina, portanto nem me importei muito com a ida. Me arrumei mesmo foi pra ir ao show do Paralamas. Insensibilidade a minha.
A família se reunia na recepção. A maior parte dela pelo menos... Abriram-se as portas do CTI e fomos todos pra lá, contudo não nos deixaram entrar... E no fundo no fundo, todos nós sabíamos (ou imaginávamos) o que isso queria dizer. A médica vem falar conosco e despeja sobre nós a pior notícia que poderia trazer. Ela iria, e seria naquela mesma noite.
Sabíamos que isso poderia acontecer, mas não ali, não naquele dia. Fazia (muito) frio, e as lágrimas quase congelavam com o simples correr pela nada ampla superfície do meu rosto. Sentia meus batimentos caindo compassados aos dela. O peso de um universo inteiro sob minhas costas. Uns e outros foram chegando e a cara de pavor se fez gritante no rosto de cada um. E agora? E agora?
Entramos pra nos despedirmos. Uns ficaram mais, outros nem sequer entraram. Todos choravam. Alisavam seu cabelo, pegam em suas mãozinhas. E a pressão caindo... E a pressão caindo. Aliviávamos toda a tristeza que podíamos em lágrimas. Cada um com seu sofrimento, todos com dor.
O pastor entrou, algumas palavras, umas orações, a unção. O aumento dos batimentos e a esperança que inundou o coração de todos que ali estavam... E ela dolorosamente (pra nós) se foi.
Isso tudo em um mesmo dois de maio. Muitos anos e sofrimento depois.
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