Às vezes eu temo esse tal de sentir falta. Mas, principalmente por antes de tudo, temer a presença que costuma vir mais tarde pra consolar o dano que a ausência causou. Tendo à enjoar das cores, das coisas, e infelizmente, das pessoas. O gostoso dura por pouco tempo, feito chiclete porcaria; o sabor é maravilhoso nos primeiros - poucos - minutos, depois fica só o gosto de nada numa massa quase imastigável. Daí se joga fora, já que ele não desempenha mais a função para que foi criado. Criado foi pra dar sabor, prazer, e quando nada mais dá senão dor de cabeça, aí é hora de pegar outro na bolsa e começar tudo de novo.
Outra coisa que eu sempre temi foi a perda dos meus maiores amores. Não são muitos, e talvez nunca tão grandes assim, mas são meus. E se minha vontade prevalecesse, assim permaneceriam até o fim de suas vidas. Mas não tem como. A vida deles - bem como a minha - segue seu curso natural, como era de se esperar desde o príncipio do fim. Só que dói. Dói assistir de camarote os velhos hábitos sendo retomados, as velhas amizades serem reconstruídas e as sempre biscates voltando à fazer parte da vida de quem um dia foi toda a sua. Talvez por isso eu nunca tenha me doado de fato e por completo à alguém. Por temer o momento em que partiriam, e o imenso pedaço meu que levariam consigo. Vê, me viro em mil cada vez que me deparo com algo que sempre foi meu e eu desconhecia, imagine o que seria de mim vendo o que eu consegui conhecer sendo levado embora... E o que é pior, indo carregado pela pessoa que um dia também me ''pertenceu''... (!!!)
E finalmente, temo o dia em que eu realmente amar alguém. Não pela metade. Mas amar de verdade assim... Amor! Devotando alma, coração e mente pra pessoa...
Não sei por qual motivo escrevo essas coisas... Talvez só seja hora de trocar a marca do chiclete por uma de melhor qualidade.
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