Você ainda detém o título de sorriso mais bonito do universo. Já é seu há tempos, e eu já me cansei de tentar achar substituto pra tomar de você tamanha denominação honorífica. E a sua boca tem gosto de bala de iogurte de morango. Mencionei? Pois é, tem. Dá vontade de beijar e não parar nunca mais.
Não gosto do seu jeito afobado, sempre indo com muita sede ao pote. Acho que nem tenho água suficiente pra saciar toda essa sua vontade de beber. Mas ótimo assim. Adoro que me bebam aos goles e que fique o gosto e a vontade pra depois. Pra voltar. Se bem que nem sei se quero que volte. Minha cabeça se embanana inteira, e eu viro ao avesso toda vez que você vem me ver. Mas e daí? Tava precisando de um desequilíbrio na minha vida... Acho que o tempo me ensinou a gostar dessa sua inconstância. Do jeito sempre moleque. A vontade incansável de não querer crescer. Mania de não se comprometer com nada. De achar que o mundo inteiro está, por obrigação, apaixonado por você. E que se te olho, ainda que de relance, é porque te desejo, não porque você estava bem no meio quando fui passar meu olho de um lado para o outro. Mas sua boca tem gosto de bala de iogurte de morango. E eu nem enjoo do gosto doce demais que ela tem. E o seu perfume é o mesmo desde que te conheci, e eu vivo sentido ele nos outros, nos seus amigos, em pessoas na rua, mas querendo mesmo é sentir ele em mim.
Engraçada essa minha teimosia em desejar só porque é indesejável. De querer ter só porque é impossível. Se fosse fácil não teria graça alguma.
Mas a sua boca tem gosto de bala de iogurte de morango.
E você me olha com uma cara de desejo insano e incandescente, e consegue a proeza de me sorrir com lábios apaixonados mesmo sem estar. E me convida pra dançar, me puxa pra pertinho, me diz umas coisas indizíveis de tão bonitinhas e bregas, e por alguns minutos eu chego a acreditar que posso mesmo encostar minha cabeça no seu ombro e que tudo vai ficar bem. Porque minha cabeça está no seu ombro, como tudo não ficaria bem? Aí você me beija bonito e me faz sentir sua namorada. Me leva pela mão e em algum ponto eu chego mesmo à acreditar que tudo poderia dar certo. Que eu poderia ser a sua namorada. A despeito de todo o empenho que eu teria que fazer pra enfiar qualquer coisa na sua cabeça que não fossem suas idéias e filosofias prontas e suas desde que você nasceu. E você me abraça e olha pra lua, e diz que não queria que eu fosse assim, tão bonita. E me beija de novo mil vezes melhor que da última vez. Me fala umas coisas deliciosas no silêncio de uns poucos beijos. E chega a bater uma raiva do mundo inteiro por criar em mim esse desejo de tentar algo. Aí eu desisto. Desisto de tentar algo. Mas seu ego gigantescamente inflado não deixa você enxergar, e você pode jurar que a aproximação é demais, e me afasta de novo, inventa qualquer desculpa e vai chamar outra pra dançar, tudo bem por mim, sempre tenho pares interessantíssimos com quem dançar e conversar. Uma hora ou outra você cai em si, e vê que eu já quase me enlaço no abraço de outro, me arranca dos braços dele, e me puxa pro seu de volta. Mais alguns minutos de ótima conversa, gargalhadas deliciosas, músicas cantadas olho no olho, e você me deixa de novo.
Tudo bem por mim... Enquanto você acha que vai poder me convidar pra dançar pra sempre, eu fico aqui, rodopiando alma, coração e mente. E nem é com você... Vai saber se numa dessas eu não arrumo um par permanente?
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