Quantas vezes se faz aniversário por ano?
De quantos amores se faz uma vida?
Meu coração tá formigando. Sabe quando fica muito tempo sem se movimentar e você do nada inventa de fazer algum movimento brusco... Então... Tá desse jeito!
Esse ano eu completei mais 20 anos. Amém! Foi tão bom. Tão doce. Tão real. Tão... tão!
E me apaixonei umas 40 vezes, de um jeito diferente a cada vez, mas sempre pela mesma pessoa. E se eu quiser variar agora? Se apaixonar assim, todos os dias, pelo mesmo cara cansa. Não que eu entenda muito disso... Marinheiro de primeira viagem é fogo, como (sempre) diz minha mãe quando vê alguma outra sofrendo, quase morrendo porque o filho espirrou três vezes em meia hora. Tá que eu não sou sua mãe. Mas sei lá... Às vezes eu acho que meio que te pari, sabe? Porque esse amor assim, desavisado, impossível e incansável só pode ser amor de mãe. ''Quando você for mãe você vai entender...'', Entendi, mãe! Satisfeita? Esse tipo besta de amar. De qualquer jeito, a despeito de tudo.
Só que, querido, eu não sou sua mãe. E aí que mora o perigo, o medo, e o desabrigo. Não sei perdoar tão bem, nem tão fácil, nem tão leve como mãe sabe. Nem sei dar colo feito uma. E se eu tenho um problema, quero todos os holofotes em mim, pra eu poder fazer uns passos de dança que exibo sem ensaio, quero alguém bem aqui, bem do meu lado, pra perguntar se doeu caso eu cair. (E eu sempre caio)
- Torceu o pé, amor? Levanta e começa de novo... Você dança tão bem! Já te disse isso hoje? Nossa, dança pra mim, vai! Esquece esse pé! Dança pra mim! Por favor!
Mas seus holofotes estão focando outras dançarinas agora. Infelizmente. Tem uma puta de uma gostosa impossível se exibindo pra você, e eu sei que você tá lutando pra consegui-la há 3, 4 anos, sei lá. Mas você podia ter tirado uns minutinhos do seu xaveco diário pra me dar uma agradadinha...
- Não foi só pé que eu torci dessa vez, amor. Foram os braços, as pernas, a barriga, o coração e a alma. Tô toda fudida! Desculpa, mas agora não vai dar pra dançar não... Você entende, né?
- Claro... Que não!
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