Durou. Fez bem.
Fez dormir sorrindo e acordar feliz por certo período de tempo. Passaram-se vinte anos em três meses. E alimentando-me deles, não consigo alimentar nada mais. Nem a raiva que eu jurei cultivar, e do nojo que eu prometi sentir. Amadureci (com) você. Via algo diferente nos seus olhos, algo que não vi no primeiro dia. Fui me acostumando com o seu abraço apertado e desajeitado. Com suas brincadeiras que convenhamos, eram no mínimo exóticas.
Por elas, e por todos os sorrisos que você já me deu, mesmo quando em mim não se achava mérito algum, é que eu não consigo te odiar. Não mais. Deixei de me deixar levar pela cabeça dos outros. Sou bem mais a minha. Afinal, quem vive e sofre as consequências sou eu, e mais ninguém.
Fato que você tem me feito sofrer bastante, mas sou a culpada nessa história toda. Quem se permitiu, se apaixonou e se deixou guiar pela paixão fui eu, não você.
Acho que esperava uma espécie de prazo, com data e hora marcada pra eu conseguir me preparar. Pro baque não ser tão grande, e nem a dor tão carregada. Mas não tive prazo, nem data, nem hora marcada. Via as coisas acontecendo, mas não as percebia. Via você se distanciando, e eu também. Mas o que fazer?
Chegou uma hora que você se afastou muito, e como a caminhada que distancia é bem mais cansativa que a que aproxima, você decidiu não voltar mais. Simplesmente.
E eu já tinha me acomodado, sentado no meu próprio chão, e não tive a mínima vontade de me levantar, correr atrás das chances e tempo perdidos, te puxar pelo braço, e te envolver num abraço desesperado feito aquele primeiro que você me deu.
... agora você já segue longe demais, quase nem consigo te enxergar.
Não nego, se ainda tiver fôlego, caso venha me puxando pela mão e ajudando à levantar, juro que não vou me importar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário