As pessoas me fazem um milhão de perguntas. E eu não tenho resposta pra nenhuma delas. Me perguntam como eu tô, se eu vou em tal lugar, com quem eu vou, se eu quero que vão comigo, se eu quero alguma coisa, se tá doendo. Me perguntam milhares de coisas, e eu já tenho quase certeza que eles só fazem perguntas conhecendo as respostas. Pra não se surpreenderem, pra que eu não os choque, pra que não ofenda ninguém. Pra que não os pegue de surpresa se no meio de uma resposta eu começar a chorar e não conseguir mais parar.
A primeira pergunta doeu, e eu desabei sim. Chorei soluçando alto e doído. Quase levei a pessoa que comigo conversava às lágrimas. A segunda pergunta machucou menos um pouquinho. E lá pela quinta eu já estava perfeitamente habituada à responder perguntas sem ter respostas. Respondo a mesma coisa pra todas as pessoas, e elas se dão por satisfeitas, sem eu nunca me satisfazer. Queria ler sinceridade nos olhos de alguém, pra só então eu poder me abrir. Mas sinceridade é algo que as pessoas não carregam nos olhos há tempos. E eu me nego a aceitar menos que isso. Eu mereço, oras bolas. Afinal, tudo o que eu carrego nos meus é sinceridade. É só olhar. É só parar um pouco pra reparar. Mas as pessoas não tem tempo nem interesse aparente em fazê-lo.
Minha vó segue internada há quase uma semana, e a situação dela já me dói há meses. Vai ser submetida à uma cirurgia e eu queria ter a certeza de que ela resistiria, que viria aqui pra minha casa, ou lá pra casa do tio Duda, e que esse troca-troca permaneceria por muitos e longos e gostosos anos.
Queria seu sorriso e seus olhos sérios e tristes nos meus, e suas piadas sujas nos meus ouvidos pra sempre. Queria mesmo. E não há nada no mundo inteiro que eu não daria pra ter esse meu mais profundo e insano desejo realizado.
Na-da.
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