Já faz um tempo vinha me esquentando com um calor que não me queimava... E o fogo que não me ardia bastou como aquecedor nas noites mais frias. Bastava porque estava completamente enregelada. Qualquer coisa estaria mais quente que eu. Acontece que, ao que tudo indica, derreto com velocidade incrível se a minha superfície estiver apenas em pequena parte descongelada. Dois minutos em exposição ao fogo baixo. Foi o que bastou. Agora sou toda eu novamente... O coração continuou quente, até porque não sabe ser de outro jeito, mas agora as mãos se identificam com o calor que no peito arde; braços, pernas e tronco também. Veja bem, meu bem, não é que não tenha sido bom, mas é que deixou a desejar. E o tempo gasto com as mais incansáveis tentativas de aumentar a chama não implicou em desperdício. Foi convertido em aprendizado e nos mais sinceros agradecimentos. Por me trazer a mim de volta, por ter aceitado o pouco que eu tinha pra emprestar...
A passagem de mornidão à chama ardente foi surpreendentemente rápida. Talvez por ter (finalmente) me lembrado como é bom ser fogo, como é bom ter chama, brilho e calor próprio. Isto é estado de ser, de espírito, de gente e de alma. Não depende de ninguém, não deve depender de ninguém. Até porque, coisa que depende de ajuda externa pra queimar é maçarico.
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