quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Solidão de palavras

Tenho dentro de mim os silêncios mais profundos e agudos. O que calo ecoa o som que meu peito grita. É como se eu fosse toda palavras e tivesse dizeres sobre tudo.
Pode ser que o silêncio seja apenas o prelúdio do qual minha mente faz uso. O tempo exato pra que um pensamento possa ser transformado em dizer ou agir seguramente, sem que haja a menor possibilidade de alguém sair ferido, porque o tempo todo sofro em nome de ferimentos alheios. Meus também. Mas os meus eu vomito em escritas, os encontro e os faço se perder na melodia de algumas músicas, os danço desajustadamente até que, esgotados, se curem. O dos outros não. O dos outros eu apenas choro ao ver sangrar, e sangro ao ver chorar. Esses eu normalmente calo. E são meu silêncio mais doído... O de calar dores alheias, por serem meus únicos silêncios perpétuos e predestinados a permanecerem sempre assim.

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