Incrível como as coisas mudam num piscar de olhos. É como se o abrir e fechar durasse o tempo exato pra que tudo saísse do lugar e encontrasse uma nova ordem. Não precisa que seja certo, melhor, ou pior. Só precisa que mude. Que a ordem se altere, se confunda com o caos um pouco, deixe tudo desorganizado; ou que a desordem se cruze com a paz. As coisas mudam o tempo todo. O que era e se sabia há dez minutos atrás, já há três não se é ou se sabe mais, porque desconhecido, pra não cair na obviedade de dizer inédito. Até porque, tudo é inédito. Tudo são primeiras vezes. Por mais que os eventos se repitam com frequência considerável, as sensações que geram, o êxtase ou desprazer a que conduzem as pessoas nunca são os mesmos.
Isto é regra, e não sou exceção. Mas meu mundo... Meu mundo gira em velocidade superior que o de outras pessoas. E meu peito canta e dança sons inaudíveis aos demais. Por isso que pareço desordenada. Por isso dizem que não sei dançar e que não possuo afinação. Não é difícil entender, não é difícil acompanhar, fazer primeira voz, dançar juntinho... Só precisa que se fique perto por um tempo, pra que o ouvido se acostume com minhas cacofonias e pausas e, finalmente, construção de doces melodias. É preciso que se fique em silêncio. Faz-se necessário e obrigatório que se observe atentamente. Que se tenha paciência. Talvez minha velocidade te cause vertigem em primeiros instantes. Talvez meus agudos lhe doam os ouvidos, e tudo soe malicioso e mal intencionado, mas a verdade é que sou toda carícias e boas intenções.
As coisas mudam em um abrir e fechar de olhos. Mas se você desejar fundo e sincero enquanto eles estiverem fechados, prometo continuar aqui ao abrir dos seus.
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