Já não eram mais os mesmos. Em algum lugar do tempo se perderam um do outro.
Ainda que muito tentasse ela já não mais enxergava nele o homem por quem tantas vezes se apaixonara. Ele não fazia questão de se deixar ver... Suas almas se encontravam como antes só quando com bocas encaixadas tocavam-se com mãos, pernas e olhares. Mas nem nisso enxergavam mais beleza e benção. Em um conjunto instável e admiravelmente amável de minutos foi que o velho amor voltara à tona. Aquele sentimento rico que tantas vezes inspirara as escritas pobres e bregas dela. Já ele não era um homem de muitos dons e, se era, não os deixava transparecer. Com exceção daquele que ele usava pra conduzi-la ao êxtase e à sentimentos essencialmente adolescentes.
Mas as conversas agora eram como se mecanizadas, e nele já não se podia ler aquele desejo incansável por ela e a força inesgotável para permanecer - requisito obrigatório à todos que sequer perto dela quisessem ficar - parecia ter se esvaido. Ela andava mais complicada que nunca e não demonstrava mínima vontade de se descomplicar. Ainda assim, o que tinham era superior e invejável aos olhos de terceiros. Se amavam! Essa devia ser só uma daquelas crises de casais... Porque com eles não?
Até que depois de certo tempo se viram, e as dúvidas viraram certeza quando a presença só fez salientar as diferenças e a indisposição de ambos. Mal se beijaram e mal ela se sentia por nada sentir. O orgulho nele berrava estourando garganta quando ele foi embora... Não deveria ter ido, entregou-a à pensamentos livres, sem seu toque para freiá-los. Não deveria tê-la deixado. Deveria ter ficado. Pra reacender o fogo que dentro dela, por ele, tanto e sempre queimara.
Já era tarde... Deixara.
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