Nossos caminhos sempre tão diversos se cruzaram em tantos pontos... Já faz um tempo que estamos aqui, tempo suficiente pra que eu considerasse que fosse este, enfim, meu ponto de chegada. Mas você insiste em apressar as coisas por nós dois, e não me surpreenderia se um dia desses, repentinamente, você me fizesse adotar este nosso ponto como ponto de partida. Entenda que se eu seguir em frente dessa vez, não mais olharei pra trás. Nem pros cacos de nossas brigas. Pras palavras mal( )ditas, meus olhos e voz baixos esperando e pedindo que você se acalmasse. Tampouco vou retroceder memória e coração, procurando em outros tempos seus sorrisos e meus arrepios em suas mãos. Ficar aqui, bem aqui, onde estamos, tem feito mal. Não sei se pra você tanto quanto pra mim, mas também não posso sequer querer saber. É chegada a hora de pensar em mim. Ou de voltar a pensar em mim.
E que isto soe mais egoísta do que deveria, do que é. Descobri há pouco que só há amor se houver reciprocidade. Mas também, e principalmente, se, além de amar o outro, conseguir amar a si primeiro. Veja que todo esse tempo eu vinha amando a ti e a mim. Só que nunca permitindo que os dois amores se misturassem, porque ambos conflitantes, imiscíveis. Talvez porque o amor próprio fosse maior, mais intenso, dominante. Não se assuste, nem queiras ir por esta minha declaração. Posso amar os dois. Só que deve haver equilíbrio. E não sei, mas talvez eu precise ir, me afastar, e só voltar quando estiver, novamente, terrivelmente apaixonada. Só que por mim.
Pra que então isso tudo que nós temos não se resuma em um ponto, seja de partida, chegada, ou de passagem temporária. Pra que se torne realidade, e que possa ser eterna.
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