quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Insônia

Nunca me rendi às minhas emoções mais fortes. Quando submetida à momentos difíceis me permito alguns poucos minutos de tristeza tímida e calo o pranto. Sempre calo o pranto. E sozinha. O orgulho parece impedir que me mostre suscetível à coisas que parecem atingir a maioria como raios. Não posso ser fraca.
Engole esse choro - escuto com meus ouvidos em lembranças da infância. Engulo. Me aninho na cama, pode ser que o sono custe a dar as caras... Mas pode ser que não. Pode ser que eu chore até finalmente dormir. Mas pode ser que não. Pode ser que eu levante, acenda as luzes e encare minha cara intensamente corada pelo choro até que o pranto cesse e ela volte à sua coloração normal. Nada melhor que meus olhos vermelhos pra me convencer que todo pranto é desnecessário. Nenhuma dor é eterna, e me nego à sofrer por qualquer coisa que dure menos de um dia.
É. Parece mesmo estranho quando colocado em palavras... Mas é exatamente isso. Não sofro em nome da dor. Não sofro em prol do sofrimento.
Nem poderia...

... Essa noite nem mesmo o sono apareceu na tentativa de me salvar. O pranto durou até a manhã dar seus primeiros sinais, e por uma dor que parece não ter como acabar.
Chorei de saudade. E, uma pena, mas só presenças são capazes de findar saudades. E, nesse caso, a presença alegre que eu tanto sinto e reclamo falta está ausente.
Por tempo indeterminado.
E sem ter como se apresentar.

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