terça-feira, 17 de novembro de 2009

Enough dare.

Arrume suas malas. Acerte os detalhes do seu plano de fuga. E saia quando tudo estiver docemente silencioso, quando tivermos ido dormir em harmonia, pra que eu possa ter boas lembranças. Alise meu rosto antes de sair pela porta, pra que eu esboce aquele sorriso de lábios que só dou quando algo realmente me agrada. Me beije com os olhos uma última vez, e vá.
Nossos jogos me cansaram, meu bem. Tenho guardado mais lágrimas que exibido sorrisos, e isso não é exatamente a minha cara. Sei que se te ver cruzando alguma rua de mãos dadas com um novo alguém, sua foto em algum lugar perdido aqui em casa, seu sorriso me abraçando maior e por trás como sempre fazia ou sua carinha de bobo apaixonado pra mim entre uma hora da madrugada e outra vou sofrer. Mas talvez seja daquelas dorzinhas incômodas e necessárias. Todo mundo deixa alguém que ama ir uma vez, talvez tenha chegado a minha.
Mas que seus olhos continuem pequenos, sua sobrancelha grossa, seu sorriso largo, e suas mãos; grandes. Que o mesmo timbre que por tantas vezes me acalmou em canções e poéticas e doces frases abrace o ouvido de minhas sucessoras com a mesma delícia com que fazia com o meu. Que o seu poder insano sobre mim e meu corpo sejam liberados... Posso pensar em pelo menos dois que realmente se sentiriam tentados só em saber que tal poder existe.
Quando for, certifique-se de deixar meus pés no chão, meu coração intacto, olhos bem abertos, e feliz canção de despedida nos lábios. É esquisito isso tudo que temos, tínhamos, ou sei lá... É forte. E grande. E maior. Maior que tudo que eu já vi na vida. E foi justamente essa grandeza que me conduzia ao amor todos os dias, pensava que era tudo forte e grande e maior demais pra ser posto de lado por algumas palavras mal ditas, discussões infundadas e seu coração latejando por outros ''bracinhos''.
Tentei.
Lutei. Pela primeira vez na vida, e me dou por satisfeita com o resultado...

Foi uma boa guerra essa que travamos, amôzinho.

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