segunda-feira, 14 de setembro de 2009

''Pequena gigante''

Esta noite eu não dormi.
Não foi por falta de vontade, ou de esforço, simplesmente não dormi. Ocupei-me - já que o sono não vinha - e a noite passou feito um piscar de olhos. Quando dei por mim os pássarios, em sinfonia leve e com perfeita harmonia, já anunciavam lá fora, o despertar de um outro dia.
Abri as janelas pra contemplar a minha morena sob a luz branda de um sol que acabara de acordar. Lá longe um galo cantou, e as luzes de alguns postes se apagaram.
Apaguei a luz da sala e me apressei pra buscar uma caneta e meu bloquinho, nunca havia escrito com a luz do sol iluminando o papel.

A claridade é pouca. Abro as janelas da alma e deixo que o vento frio da madrugada me refrigere e renove o coração. Um pássario pousa na caixa do ar-condicionado bem próximo a mim, e me sauda.
Me sinto, finalmente, e talvez pela primeira vez na vida, pequena. Ínfima. Mas ao contrário do que eu pensei, o sentimento que tive não foi ruim. Não senti medo. Senti conforto, calma, e proteção.
Há alguém, lá longe, em algum lugar do infinito desconhecido olhando por mim. Tenho certeza que sim.
(Não é assim, tão difícil de ver. É só deixar de olhar pra dentro e voltar os olhos pra cima...)

Com os últimos deslizes da caneta sob o papel, agradeço à esse Alguém, por mais esse dia, por essa noite sem dormir, e pelo meu consequente - e talvez tardio - despertar para vida.

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