Sentada, com o laptop a minha frente há algumas horas, cansada de não fazer absolutamente nada, fechei os olhos, e tentei imaginar como serei eu, daqui uns anos . Como sou eu, hoje . O que sou e o que não, e porque ... O tema gera discussões calorosas, porque nem eu mesma consigo me definir por completo, e isso é algo que eu adoro em mim .
Ao mesmo tempo, desgosto .
Seria ótimo conhecer-me por completo, para ter minhas reações calculadas, respostas pra todas as perguntas ... Adoro meu espírito livre, minha autêntica inconsequência, gosto de dizer que sou movida pelo meu coração .
Ao mesmo tempo, desgosto .
Invejo aquelas pessoas frias, ou que pelo menos aparentam ser . Imunes a tudo e qualquer coisa . Sério . Eu não sei ser assim, não mesmo ! Posso até parecer '' seguríssima '' com minhas palavras, com um olhar indiferente e às vezes até com meu jeito de andar . Mas algo em mim sempre me denuncia .
Ficar em casa, sozinha, com o caso mais mal resolvido da sua vida, e não sentir nada, seria anormal . O normal seria demonstrar indiferença, ou não ? Com meus atos eu me esquivava, minha boca repetia '' não, não e não '' . Mas minhas mãos tremiam . Isso aí ! Tremiam ( !!! ) . E não era como se meu coraçao palpitasse dentro do peito, como se minhas mãos soassem, e o coração implorasse pelo que provavelmente se sucederia . Não mesmo !
Mas eu tremia, patética . Tremia ! Sorte a minha, é que tenho uma habilidade indesejadíssima de sobre assuntos sérios, fazer piadinhas, dar risada . Tava perdida . Me acabei de rir depois, mais tarde, sozinha . De mim mesma !
Para minha própria surpresa, resisti . É ! E olha que tava tudo escuro, e estávamos completamente sozinhos - e eu adoro os desejos e contornos contorcidos produzidos pela escuridão solitária quando tenho companhia .
Tô feliz ! Tô mesmo ! Adoro reviver o passado, revirar ( reviver ? ) sentimentos revirados e apagados pelo esquecimento .
Mas prefiro muito mais viver o dia, como se a noite trouxesse o apocalipse da minha existência .
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