terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mexeram na minha estática

As músicas que me são cantadas atingem feito flecha áreas não pretendidas pelo intérprete... Qualquer uma me leva até você. Fecho os olhos pra alcançar uma nota mais alta, e seu rosto explode na minha mente. Olho pra cima, e a lua me leva até nós dois. Minha mão na mão de alguém; suas mãos por toda a parte. Talvez seja pra sempre assim, talvez não... Quem sabe um dia suas manias sejam apenas uma parte cansada e distante do meu passado, e quando eu olhar pra trás, só enxergue traços mal feitos do que fomos nós. Ainda não é assim. Mas não sei até quando... Já nem consigo me lembrar perfeitamente da melodia da sua voz ao telefone, do som acalentador da sua gargalhada, ou da cara que você faz pra se olhar no espelho. Isso me assuta um pouco, sabia? Seu jeito com as coisas tem sido meu lugar seguro no passar dos meses. E se eu não me lembrar mais? Pra onde corro quando os problemas sufocarem e eu precisar respirar leve de novo...? Nunca te quis por perto por egoísmo; só porque você me fazia bem. Sempre acreditei fazer-te também. Sinto muito por não ser assim. Sinto muito o tempo todo.
Mas se antes não dava pra você, agora não dá pra mim. Não é como se isso fosse só um joguinho que eu goste de fazer; uma hora caça, em outra caçador... É só meu jeito pra agora e pra tudo. (Re)Fiz minha vida sem você. E as coisas tem estado assustadoramente boas... Ainda não boas o suficiente preu não sentir sua ausência antes de dormir, ou afastar você das minhas mais sinceras e devotas preces. Só estão boas. Consigo sentir aquela paz e sorrir sincero e com o coração aberto. Deixar-me ser vista pelos outros e ver também... Tenho visto boas almas nos mais questionáveis abrigos. Abraços confortáveis nas mais diversas ocasiões. E ocupado meu tempo sorrindo gritado, falando o que me parece certo e olhando pra cima a todo instante.
É. Talvez seja isso... Pedi livramento, bem que me disseram que seria concedido.

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