Os sorrisos sempre ficariam lá... Ainda que embebidos de lágrimas, nunca ficaria triste. Até mesmo suas lágrimas - como era de se esperar - eram apenas sorrisos descontentes. Seu olhar sempre a trairia, derramando a gratidão que sentia e que era real e impossível de não se sentir - e admirar. Estava ali, estava viva e tinha o mundo ao alcance das mãos. Bastava-se, e talvez por isso sua felicidade era tão plena e sincera. Nunca faria nada que a prejudicasse, certamente... Sua alegria irradiava, lhe fluia pelos poros e por vezes até a embriagara.
Qualquer um que se aproximasse poderia provar da delícia que era ser e estar perto de tudo aquilo que era e vinha dela. Era como se todos pudessem sentir também o que ela sentia, ainda que por breves instantes. E se apaixonavam pela vida e pelos sons e cores e detalhes. Criam que era isso que a fazia tão feliz, tão absorta e envolvida em seu próprio mundo... Sua mente era seu refúgio, sua alma; seu recanto feliz. E aquilo bastava, também a enchia de alegria, saber que tinha tanto... Saber que sentia tanto. Nada determinaria o contrário, nada mudaria aquilo e, de fato, nada jamais mudou.
Seguiu a vida toda com os mesmos dentes à mostra, o peito aberto, a respiração desritmada e os poros abertos absorvendo cada suavidade do caminho que tão alegremente trilhava.
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