Sabe, somos parecidos eu e você.
E o que conduz maiorias à ruína foi o que me proporcionou salvação nesse nosso torto instante. Fui ensinada que polos opostos é que se atraem. Corpos possuidores de mesma polaridade só se mantêm unidos sob ação de forças externas e, ainda assim, nunca por muito tempo. E venhamos e convenhamos, a força que nos separa é infinitamente maior que a que tenta nos unir.
O mundo que nos separa é que eu mastigo de boca fechada, e os outros que façam como preferirem. Os outros (como você) que mostrem os dentes e o que eles trituram. Come-se mais quando em silêncio, mas disso, apesar de não praticares, aposto que já sabias.
O mundo que nos separa é o mundo que nos tenta proteger. Um hemisfério jura que preciso de cuidados e zela pela minha suposta inocência. O outro teme que você se deixe levar pela minha leviandade com o que quer que não proporcione prazer imediato.
O mundo que nos separa se mostrou completamente ineficiente. Falhou em todas as suas tentativas, e me vi envolta por desejos urgentes, olhos aflitos, frios percorrendo a espinha, mãos trêmulas e o coração socando o peito com toda a força... Queria que durassem.
Contudo, uma noite. Ou até mais... Mas o além, aqui, geralmente dura só até que se consiga o que se quer. E conseguiu-se.
Portanto, deixe seu sorriso malicioso de canto de boca em casa. Me destes o que eu queria, agora já podes ir. E vá em paz! Enterre no caminho suas expectativas de fazer de mim sua mais nova ninfetinha. Não tenhas a pretensão de ter-me ao alcance das mãos, de uma ligação, alguns abraços apertados e suas melhores histórias.
Infelizmente, até nas coisas mais banais, pra mim vale tudo e nunca mais.
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